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11a Festa do Livro da USP – 2009

De facto: as livrarias fazem a festa! AHUaHAHa. Bom… Eu, tu, ele, nozes – e a Vozes – também (claro!)

Um dilema – e agora José!?: comprar livros ou ver a namorada!? Bom… Creio que sentirei saudades dela! AHUaHUAHUAha.  No ano passado a marvada me colocou contra a parede: Eu disse: “Minha Lindinha, haverá a Festa do Livro”. “Festa… do livro!? – sozinho!? – Tá pensando que tenho cara do que?” embirrou-se. “Não, amor, não é uma festa, festa, na verdade é uma Feira do Livro – só que aí não dará para eu viajar até aí…” – insisti.

Ela não pensou duas vezes: “Tá! tudo bem, queridinho, pode escolher: a festa ou eu!” – Bom… (huihuihuihui) acho que ela aprendeu a lição… Ah, vá! Será mais emocionante no próximo (re)encontro! Vixi… Só no mês que vem então!? Bom… Haja emoção. O que direi pra ela!? Que estou doente!? Que o novo professor de Políticas Educacionais pediu um trabalhinho muito difícil!? Bom… até lá penso em algo – só não vale dizer isso a ela ;)

Uma dica: meu… não sejais ingénuo – porque de cândidas, as livrarias não têm nada… : os livros não estão ali à toa; em geral, são os livros que restaram no estoque, aqueles que ficaram meses na prateleira sem ninguém os querer… às vezes com algum defeitinho básico, uma sujeirinha a mais – nada de muito grave, imagino… Porém: preste muita atenção no livro que estais a comprar.

Quando: 25-26-27/11 das 9h ás 21h.

Onde: Saguão do Prédio de Geografia e História da USP – FFLCH
Av. Prof. Lineu Prestes, 338 – Cidade Universitária – São Paulo / SP

Como chegar: Ah, quer saber!? To com preguiça – se vira, po! Já tá querendo de mais!

Santa crueldade

Santa crueldade. – Um homem dirigiu-se a um santo, tendo nas mãos uma criança recém-nascida. “Que devo fazer com esta criança?”, perguntou ele, “ela é miserável, deformada e não tem vida bastante para morrer.” “Mate-a”, gritou o santo com voz terrível, “mate-a e segure-a nos braços por três dias e três noites, afim de criar em si mesmo uma lembrança: – desse modo você não gerará novamente um filho quando não for tempo de fazê-lo.” – Ouvindo isso, o homem partiu decepcionado; e muitos censuraram o santo por haver aconselhado uma crueldade, pois aconselhara matar a criança. “mas não é mais cruel deixá-la viver?”, exclamou o santo.

Nietzsche – Gaia Ciência, Parte II, 76

MeEEEEeeEeEu, saca só que babado (HUahUA) – será que vão falar sobre Schopenhauer também!? ‘deus queira, meu filho, deus queira…’.

Seja um Emo iltelectual – vá ao congresso sobre Goethe

Dizem que esse tal de Goethe era um gênio (da litaratura); que foi muito importante para o Romantismo e tal… – não sei de nada, é o que dizem! Li metade do livro “Sofrimentos do jovem Werther” e não gostei muito: lá pelo fim da primeira parte eu pensei: “Ah, esse bosta vai se matar!?”. E fechei o livro… AHUaHAHa. Em conversa com um grande amigo descobri que ele se mata mesmo… Ah, prefiro Dostoievski, Machadão, Tostói. Esse pessoal romântico é um bando de bobocas – não sabem lidar com os (próprios) sentimentos e ficam colocando a culpa na natureza, nas outras pessoas, nas mudanças do clima, etc.

Dizem que o importante não é o final do livro, mas sim a ‘trama’: o que acontece no desenrolar do livro. Ah, mas sai fora – o rapaz parecia uma moça: “oh, o dia está tão triste, nhe, nhe, nhem; as flores estão chorando,  nhe, nhe, nhem” – ah! Pro diabo! O cara se mete a se apaixonar por uma mulher comprometida, e depois fica pelos cantos choramingando – bem feito! Além de ser um bundão – po, metia um beijo na moça e pronto, aposto que ela estava afim!

Sera que os Emos se inspiram nele!? AHUAHA. Dizem que os Emos assim são chamados por serem Emo(tivos), pra mim é um bando de Homo(passivos)AHUAHA.

Penso que os Emos deveriam ler Goethe para assim fundamentarem melhor seu movimento – po, ao menos ficaria Chique, fala aí!? Pô meu, Goethe é alemão, cara! (era feio, mas era europeu…). Dizem (veja, é o que dizem – não sei de nada) que os NX0 são bonitinhos; mas meu, só porque eles são mais bonitos!? ORa, cade seu romantismo!? – a beleza interior de Goethe não conta!?

Seja um Emo intelectual – leia Goethe! huihuihui

Associação Goethe do Brasil

Publicado por Da Redação – agenusp@usp.br em 30 de outubro de 2009 – 18:17

Acontece entre quarta (4) e sexta-feira (6), o Congresso Internacional da Associação Goethe do Brasil e o Encontro do Grupo de Pesquisa Literatura, Arte e Filosofia na Época de Goethe “Afinidades Eletivas”, promovido pelo Goethe-Institut São Paulo e pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

A abertura e o primeiro dia do evento serão realizados no Goethe-Institut a partir das 10 horas. Nos demais dias, as apresentações serão realizadas na sala 111 no prédio das Ciências Sociais da FFLCH, a partir das 9 horas. A programação completa está disponível na página do evento [1].

A congresso é aberto e  gratuito. O Goethe-Institut fica na Rua Lisboa, 974, Pinheiros. A FFLCH fica na Av. Prof. Luciano Gualberto, 403, Cidade Universitária, São Paulo

Mais informações: email cultura@saopaulo.goethe.org [2]


Artigo impresso de Agência USP de Notícias: http://www.usp.br/agen

 

URL do artigo: http://www.usp.br/agen/?p=10169

EXPOSIÇÃO CÉREBRO

A exposição aborda todas as questões que envolvem o funcionamento cerebral, dos neurônios à química, dos sonhos ao desenvolvimento da linguagem, da depressão à doença de Alzheimer e ajuda a desmistificar o órgão mais essencial do nosso corpo.

O quê: EXPOSIÇÃO CÉREBRO – O mundo dentro da sua cabeça

Onde: Porão das Artes – Prédio da Bienal

quando: De 07/08/2009 até 26/10/2009. Das 9h às 21h (entrada até 20h)

quanto: Ingresso: R$ 40,00 e R$ 20,00 (meia)

mais informações: no sítio clicando aqui, como, por exemplo, os dias nos quais abre (acho que de sexta a domingo) aos domingos e feriados os horários de início e término são diferentes.

Segue três edições da nossa, querida, Crítica da Razão pura – em espanhol, inglês e português. - mas pera lá, (não tomais atitudes precitadas, irmão) não agradeça ainda: Ou seja: agora não há desculpa para não estudar ’si ferro’ – pronto! agora pode agradecer, AHUAHA

AGRADEÇA, INFERNO! huhiuhui

 Houve críticas a essa obra… Um certo alemão (o qual na opinião de Schopenhauer [vai, tenta adivinhar que é] um) ”grosseiro e nojento charlatão [...] homem pernicioso que desorganizou e corrompeu completamente as inteligências de  toda uma geração”, vulgo Hegel [e aí, acertou!? ah, essa foi fácil, vai] tirou o maior sarro do nosso querido “chinês de Königsberg” dizendo que a Crítica da Razão pura é como querer nadar sem entrar n’água. Outro alemão, meu amigo de longa data, o auto intitulado “homem-dinamite”, vulgo Nietzsche (não! não é a onomatopéia de um espirro, é um nome mesmo…), bradou que a intenção do “raposa velha” com CRP de fazer com que a razão seja – ré e juíza - ao mesmo tempo é lá um tanto quanto estranha…

Bom… mas eles são alemães, eles que se entendam! Nós, que s0mos brasileiros (querendo ou não, pode chorar) podemos aproveitar as, digamos assim, disputas filosóficas para esquecermos das tragédias sociais-políticas-educacionais do nosso grandioso país (vide senado); bem como para dar uma de pseudo-intelectual e impressionar ‘as mina’! AHUAhAha

Há quem entre num curso universitário de filosofia para encontrar uma filosofia de vida; outro para ‘encontrar respostas’ (sabe lá Deus a respeito do quê); outros com objetivo de reforçar a fé – essa é boa! Como conseguem!?

E eu!? qual é meu objetivo com o curso!? Ah… Dar risada, claro! Aristófanes, Schopenhauer e Nietzsche – respectivamente, são os mais divertidos: não entendo nada, mas a diversão é garantida ;)

 Kant-Critica_de_la_razon_pura(ManuelGarciaMorente.trad)

Kant-Critique_of_Pure_Reason-Norman_Kemp_Smith_MacMillan_1929

Kant-Crítica_da_Razao_Pura(CalousteGulbenkian)

E não vos esqueçais, jamais – mãozinhas pra cima, todo mundo, comigo: “Comte, um, dois, três – Kant comigo outra vez!!”

[...] Lida de um astro distante, a escrita maiúscula de nossa existência terrestre levaria talvez à conclusão de que a terra é a estrela ascética por excelência, um canto de criaturas descontentes, arrogantes e repulsivas, que jamais se livram de um profundo desgosto de si, da terra, de toda a vida, e que a si mesmas infligem o máximo de dor possível, por prazer em infligir dor – provavelmente o seu único prazer. [...] – Genealogia da moral. Parte III, seção 11

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Genealogia da moral. Parte III, seção 12:

Supondo que essa vontade encarnada de contradição e anti natureza seja levada a filosofar, onde descarregará seu arbítrio mais íntimo? Naquilo que é experimentado do modo mais seguro como verdadeiro, como real: buscará o erro precisamente ali onde o autêntico instinto de vida situa incondicionalmente a verdade. Fará, por exemplo, como os ascetas da filosofia vedanta, rebaixando a corporalidade a uma ilusão, assim como a dor, a multiplicidade, toda a oposição conceitual de “sujeito” e “objeto” – erros, nada senão erros! Recusar a crença em seu Eu, negar a si mesmo sua “realidade” – que triunfo! – não mais apenas sobre os sentidos, sobre a evidência, mas uma espécie bem mais elevada de triunfo, uma violentação e uma crueldade contra a razão: volúpia que atinge seu cume quanto o auto-desprezo, o auto-escárnio ascético da razão decreta: “existe um reino da verdade e do ser, mas precisamente a razão é excluída dele!…”. (Dito de passagem: mesmo no conceito kantiano de “caráter inteligível das coisas” resta ainda algo desta lasciva desarmonia de ascetas, que adora voltar a razão contra a razão: pois “caráter inteligível” significa, em Kant, um modo de constituição das coisas, do qual o intelecto compreende apenas que é, para o intelecto, absolutamente incompreensível.) - Devemos afinal, como homens do conhecimento, ser gratos a tais resolutas inversões das perspectivas e valorações costumeiras, com que o espírito, de modo aparentemente sacrílego e inútil, enfureceu-se consigo mesmo por tanto tempo: ver assim diferente, quer rever assim diferente, é uma grande disciplina e preparação do intelecto para a sua futura “objetividade” – a qual não é entendida como “observação desinteressada” (um absurdo sem sentido), mas como a faculdade de ter seu pró e seu contra sob controle e deles poder dispor: de modo a saber utilizar em prol do conhecimento a diversidade de perspectivas e interpretações afetivas.

De agora em diante, senhores filósofos, guardemo-nos bem contra a antiga, perigosa fábula conceitual que estabelece um “puro sujeito do conhecimento, isento de vontade, alheio à dor e ao tempo”, guardemo-nos dos tentáculos de conceitos contraditórios como “razão pura”, “espiritualidade absoluta”, “conhecimento em si”; – tudo isso pede que se imagine um olho que não pode absolutamente ser imaginado, um olho voltado para nenhuma direção, no qual as forças ativas e interpretativas, as que fazem com que ver seja ver-algo, devem estar imobilizadas, ausentes; exige-se do olho, portanto, algo absurdo e sem sentido. Existe apenas uma visão perspectiva, apenas um “conhecer” perspectivo; e quanto mais afetos permitirmos falar sobre uma coisa, quanto mais olhos, diferentes olhos, soubermos utilizar para essa coisa, tanto mais completo será nosso “conceito”18 dela, nossa “objetividade”. Mas eliminar a vontade inteiramente, suspender os afetos todos sem exceção, supondo que o conseguíssemos: como? – não seria castrar o intelecto?…

Quanto

do (meu) canto
quanto
de-sen-canto
pranto
a saudade
canto
a vontade
desejo
voraz-azul
é o céu que desaba

Canto. . .

Eu

Do (meu) canto

Canto

Des-en-canto

Que é a tragédia de viver

imerso, num sonho bom!?

No qual vivemos morrendo

A cada instante. . .

Desabando para descambar de novo

E de onde nunca sairemos

Com vida.

Imaginação

Eu preciso acreditar que há alguém lá!
Preciso acreditar que existe um outro lado
Um lugar para que Eu possa (re) encontra-la
UM lugar onde poderemos ser felizes
Esse não pode ser o Mundo Real
Onde está o Mundo Real?
Não é possível
Não
É
Possível
Tudo tão rápido
O tempo está passando
Cada vez mais rápido tudo
Se vai para nunca mais voltar
Eu preciso crer que há alguém lá!
Preciso acreditar que existe um outro lado
Um lugar para que Eu possa (re) encontra-la
!
Onde é que está? O mundo real
Preciso encontrar o mundo real
Não
pode
ser!
Aqui...
Um motivo
Preciso encontrar
Um motivo para viver
Para que Eu me mantenha vivo
Tenho minha vida em minhas mãos
E sinto que estou deixando-a escapar
(diluir)
Entre
Meus
Dedos
Ante
Meus
Olhos
Eu
Preciso acreditar que Alguém montou a base onde ergue-se minha
vida: Alguém que seja perfeito e que tenha feito uma base perfeita
para que ela Não venha a se romper. Para que minha vida não
desabe em cima mim Novamente! Preciso acreditar que minha vida
não pertence a mim Que há alguém que faz o que bem entende com ela
Alguém bom. . .
Que reconheça meus atos bons
Que me entenda
Que me julgue especial
Eu
Preciso
De
Alguém!
Alguém
Que veja que o que faço é de bom grado
Alguém
Que aponte minhas qualidades
E não apenas meus defeitos
Alguém
Que me ajude
Com meus vícios
Que não me massacre pela minha ingenuidade
Que faça de mim uma eternidade
Minha vida...
Preciso acreditar que tem alguém regendo minha vida
Eu preciso!
Preciso acreditar que nem tudo está perdido
Que a luz no fim do túnel não é um trem
vindo em minha direção
Preciso acreditar que não estou fodido
Que Eu não estou correndo na direção de um abismo!
E que mesmo se Eu estiver
Que haja alguém para me segurar
Quando Eu desabar
Eu preciso acreditar
Deixe-me acreditar
Que irei (re) encontra-la em algum lugar
E que nós seremos felizes
Para sempre!
Felizes
Eu
E
Ela
Para Sempre
Tem que haver um lugar
Um lugar onde Eu possa ama-la
Um lugar onde não exista preconceito
Um lugar onde tudo possa ser perfeito
ME DEIXE!
Me deixe fechar os olhos
Eu não quero ver!
Esse não pode ser o mundo real
Me deixe em meu mundo particular
Onde Eu possa Ser o que quiser
Onde Eu possa me realizar
Deixe Eu me enganar
Me deixe
Pensar que agarrado em minha bóia furada em forma de patinho amarelinho não irei me afogar
Me deixe!
Me
Deixe!
Em
paz

Professores de ética

São Paulo, quarta-feira, 27 de maio de 2009

TENDÊNCIAS/DEBATES

FREI BETTO

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder; O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos congressistas.

É TAUTOLÓGICO falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está “se lixando” para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.
Felizmente, há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de congressistas íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se a farra de passagens aéreas, os castelos mirabolantes, as mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de congressistas incorruptíveis.
A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a congressistas que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.
Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de “pecado original”. Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução é criar, via profunda reforma política, instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.
Enquanto isso não acontece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, Suas Excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.
Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de cinco filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil. Se fosse juntar o salário que ganhava, sem gastar um só centavo, levaria (à época) mais de sete anos para obter igual soma. Francisco declarou: “Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Não pode trazer felicidade”.
Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de sete anos, outra de nove. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS). A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais.
Entrevistada, disse: “Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi. Era o certo a fazer”. O gari Sebastião Breta, 43, da Prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo.
Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: “Nunca. Desde a primeira vez que vi, sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas, fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente”.
Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. “Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco.”
O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos congressistas.
José Gomes da Costa é gari da Prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com esse salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular essa quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.
Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio do ano passado, durante campeonato mundial de tênis de mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor, em parceria com Verissimo, Cristovam Buarque e outros, de “O Desafio Ético”, entre outras obras. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).

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