Jorge Furtado – Co-roteirista
O nome de Jorge Furtado tornou-se conhecido após o estrondoso sucesso do curtametragem “Ilha das Flores” (1989), ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim e nada menos do que cinco Kikitos no Festival de Gramado, para citar apenas algumas de
suas premiações. Desde então, Jorge consolidou sua carreira de criador, alternando ou
acumulando os papéis de roteirista e diretor, no cinema e na TV.
São destaques do seu trabalho para a TV as minisséries “Agosto”, “Caramuru – A
Invenção do Brasil” e “Antonia”, além de seriados como “A Comédia da Vida Privada”.
No cinema, ele lançou no ano passado “Saneamento Básico – O Filme” (2007), com um
elenco que reunia Wagner Moura, Lázaro Ramos, Camila Pitanga e Fernanda Torres.
Também dirigiu e escreveu o roteiro de “Meu Tio Matou um Cara” (2005), “O Homem
que copiava” (2003) e “Houve uma vez Dois Verões” (2002), para lembrar os longasmetragens
mais recentes.
ENTREVISTA COM JORGE FURTADO:
1 – Qual foi o ponto de partida para o roteiro de “Romance”?
JF - Foi a investigação da “invenção do amor”, a lenda de Tristão e Isolda e também o
estudo clássico de Denis de Rougemont, “A História do Amor no Ocidente”. Além de
Tristão e Isolda, a nossa história tem também um pouco de Cyrano de Bergerac (de
Edmond Rostand), uma pitada de Dom Quixote e 450 gramas de Shakespeare. O resto é
mentira.
2 – Você poderia falar um pouco sobre a sua parceria _ de longa data _ com o Guel
Arraes?
JF - Já fizemos muitas coisas juntos e faremos tantas outras, espero. É divertido.
3 – Em qual papel você se sente mais confortável, como roteirista ou diretor?
JF - Como espectador, sem dúvida. Em segundo lugar, como roteirista, em silêncio,
entre os livros. E, por último, como diretor, de pé, gritando, na chuva, tentando cumprir
cronogramas. Nem sempre o que é mais confortável é o mais prazeroso ou o mais útil.
4 – “Romance” é um filme que embute uma montagem teatral e um especial de TV.
Como é a sua relação com cada um destes meios: cinema, teatro e TV?
JF - Gosto dos três, dependendo do dia ou da hora. Cinema é uma forma de expressão
poderosa, capaz de quase tudo. Teatro, muito mais antigo, é quase uma função vital,
mais necessário que religião ou política. Já a televisão… A televisão é um meio de
comunicação, como o rádio. A televisão é uma forma de levar para dentro da nossa casa
coisas fundamentais, como o teatro, o cinema, a política, a religião e os gols do Grêmio.