Carta a Aedo
A Arte de Ser (uma Sombra)
Sua vida é uma singularidade – acerca-se de virtudes ascéticas e dela serve-se para fins particulares. Virtudes essas – que passam longe de serem verniz moral, ou meios para alcançar uma (confortável vida) pós-morte – são sim as consequências da (sua) filosofia, a qual subjuga os instintos, em prol da conquista do pensamento – do pensamento!
Assim, trajando um disfarce – humildade, pobreza, castidade – ele é, vem verdade, um Grande Vivente, e converte seu corpo num templo – visando uma causa: demasiadamente orgulhosa, rica, e sensual. Vive em função das causas e dos efeitos – tem como ponto de partida uma certa produção (produtividade), tal que passa longe da produção em massa, de reproduzir opressão, difundir o medo – e na contramão dos comuns, não parte da necessidade, muito menos vive em função dos meios e dos fins.
Daí (ad)vem a consequente solidão desse humano (demasiadamente humano), o qual por não encontrar (na)morada – acaba por “não servir para nada”. Mesmo porque, seu único poder – o pensamento – aos fins do Estado transcendente; não sendo, por conseguinte, seu alcoviteiro – torna-se inimigo iminente.
(sobre)Vivente, à deriva, sem eira nem beira; tramita (d)entre as esferas (sociais) sem nenhuma pertencer – sem lugar. Está hora aqui, hora acolá – ora, e agora, onde é que ele está? Em Silentium – na madrugada - a suplantar-se.
<!– @page { margin: 2cm } P { margin-bottom: 0.21cm } –>
> Texto (completamente, diga-se de passagem) baseado na introdução do livro Espinoza e os signos, de Deleuze.