A Escola de Frankfurt – uma breve (muito breve mesmo) introdução 1
Introdução
Imagine-se em um aposento do século 19. Esse aposento é um lugar no qual há longas conversas. Há uma conversa primordial, onde um grupo de homens muito idosos apresentam questões e definem o tom (forma) da discussão. Há uns que estão, de alguma maneira, reagindo às idéias dos homens antigos. Há outros, os verdadeiramente profundos, inovadores, senão “estranhos” afirmam suas próprias observações, e esforçam-se afim de entrar em diálogo com os homens antigos. Pessoas chegam e saem do aposento. Fora os já citados, há – também – quem se se agrupe em torno de seu seu orador favorito, são atraídos por determinados grupos – pelo fato de compartilharem um assunto (tema) específico.
A imagem do aposento representa a totalidade da Filosofia Ocidental. O homem antigo, representa os filósofos clássicos – tais como Sócrates e Platão. Os profundos, inovadores e ‘bizarros’, são os pensadores modernos como Hegel e Marx. E, finalmente, a Escola de Frankfurt a qual consiste a categoria daqueles agrupados em torno de seus oradores prediletos. Ou seja, a Escola de Frankfurt não é um lugar, mas sim, uma escola de pensamento — um conjunto de teorias similares que tem como foco o mesmo assunto. O pensamento da Escola é um diálogo, que resultou depois de Karl Marx acrescentou seu notório “two cents”2 ao progressivo debate da filosofia.
Os acadêmicos que originaram a Escola de Frankfurt eram todos, direta ou indiretamente, associados a um orgão chamado Institute of Social Research (Instituto de Pesquisa Social). O apelido (nickname), por assim dizer, dos pensadores teve origem devido à localização do instituto – Frankfurt, Alemanha. Aqueles que contribuíram de forma mais significativa à escola de pensamento são: Theodor W. Adorno (1903-1969) filósofo, sociólogo e musicologista; Walter Benjamin (1892-1940) ensaísta e crítico literário; Herbert Marcuse (1898-1979) filósofo; Max Horkheimer (1895-1973) filósofo e sociólogo. E mais tarde Jungen Habermas (Düsseldorf, 18 de Junho 1929). Cada um desses filósofos confiava na teoria do Materialismo Histórico de Marx – até certo ponto… Todos eles acompanharam o advento do Comunismo na Russia, culminando, mais tarde, no fascismo na Itália. Eles viveram a primeira guerra mundial (1914 – 1918), o ápice e a queda de Hitler; e obviamente, a devastação provocada pelo Holocausto. Eles erigiram reações, isto é, tentativas de reconciliar a teoria marxista com a realidade na qual, tanto as pessoas, quanto os governos – estavam inseridos. Cada um dos membros da Escola de Frankfurt ajustou o Marxismo com seus próprios acréscimos – ou “jeitinho” (fix) se você preferir. Em seguida, usaram a teoria marxista “estabelecida” (fixed), com o objetivo de avaliar o quanto a sociedade moderna necessitava encontrar-se3. Essas idéias vieram a ser conhecidas como “Teoria Crítica”.
História da Escola de Frankfurt
Foi a partir do Institut für Sozialforschung (Instituto de Pesquisa Social), que surgiu a Escola de Frankfurt. No início, ambos eram indistinguíveis. O Instituto começou como parte da Universidade de Frankfurt, na Alemanha. O instituto foi fundado por Felix Weil em 1923, e pôde funcionar com grande autonomia4. Car Grünberg foi diretor do Instituto entre os anos de 1923-1929. Grünberg um marxista “confesso”, e devido a isso fez com que a base teórica do programa do Instituto fosse marxista – entretanto, o Instituto não teve qualquer afiliação partidária. Ele enfatizou a importância do contexto histórico — do significado, bem como dos resultados – à investigação5. Max Horkheimer assumiu a direção do instituto em 1930; e, por sua vez, enfatizou a relação entre a filosofia social e a ciência. Seu foco principal foi um estudo interdisciplinar. Como Grünberg, Horkheimer acreditava que a teoria marxista deveria ser a base do Instituto de Pesquisa.
Em 1933, o Instituto foi forçado a deixara a Alemanha por conta da tomada de poder pelos Nazistas, e durante os anos de 1933-1935, a localização do instituto foi em Genebra, Suíça. Em torno de 1935, o endereço foi mudado para Nova Iorque; e em 1941, o Instituto mudou – novamente – de endereço e dessa vez para Califórnia. Durante esse período, ele enfrentou muitos problemas – incluindo uma audiência, na qual foi discutida o seu funcionamento. Porque, em vez de escrever para outros meios acadêmicos Alemães, eles começaram a escrever para cientistas sociais americanos. E Isso, somado às mudanças de localização e as perturbações causadas pelos nazistas — criou problemas para os membros do Instituto. Por volta de 1953, o Instituto foi permitido a voltar para a Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Adorno assumiu a co-direção com Horkheimer em 1955. Até que em 1959 Adorno veio a falecer, e Horkheimer em 1973. Assim, O Instituto de Pesquisa Social persistiu, mas não com a alcunha de Escola de Frankfurt.
Max Horkheimer – O eclipse da Razão
O livro de Horkheimer intitulado “Eclipse da Razão”, ocupa-se com o conceito de “razão”6 no âmbito da filosofia ocidental. O autor define a “verdadeira razão”, como racionalidade7. Então ele define a diferença entre razão objetiva8 e razão subjetiva9. A primeira diz respeito a verdades universais, as quais ditam que uma ação é certa ou errada. A razão subjetiva — por outro lado – leva em conta, tanto a situação, quanto as normas sociais: as ações que proporcionam a melhor situação para o indivíduo são “reasonable” (lógicas, racionais) concordando com a razão subjetiva. O movimento do primeiro tipo de razão para o outro, ocorreu quando o pensamento não pôde mais acomodar as tais verdades objetivas, ou quando elas foram julgadas ilusórias. Submetida às verdades subjetivas, os conceitos perdem seus significados. Todos os conceitos precisam ser estritamente funcionais para que sejam racionais. Devido as regras da razão subjetiva, tanto os ideais de sociedade, quanto os de democracia – por exemplo – se tornam dependentes de “interests” (interesses) das pessoas, em vez de serem dependentes de verdades objetivas.
Horkheimer escreveu o “Eclipse da Razão”, o livro foi influenciado (inspirado) pelo poder dos nazistas sob à Alemanha. Ele descreve como os nazistas foram capaz de fazer sua agenda (aparentar) ser racional. Além disso, é uma emissão de advertência para que isso não ocorra novamente. O autor, acredita que as calamidades da sociedade moderna são causadas pelo mal uso da razão, bem como por tê-la interpretado mal. E se as pessoas usaram a “verdadeira razão” afim de criticar suas sociedades, elas serão capazes de identificar e resolver os problemas delas [das sociedades].
Conclusão
Então, depois dessa navegada, o que a Escola de Frankfurt realmente fez? Bom, se nós usarmos a imagem da filosofia como uma longa conversa (debate) – como foi feito no início do texto – veremos que Escola lançou o materialismo histórico para o centro do aposento (da discussão). Isso forçou a ideologia marxista a horizontalizar seu propósito e levar em consideração questões pendentes, tais como: “de que forma as pessoas e as instituições interagem?” Notaremos, também, o impacto da Escola de Frankfurt no marxismo e que ela o validou analisando e provando a “evidência empírica” de sua existência. Ela forneceu uma metodologia ao marxismo. – E isso, sob através de uma interdisciplinaridade: Horkheimer utilizou a noção de racionalidade como uma maneira de explicar e descrever o materialismo histórico; Adorno, por sua vez utilizou a linguagem; Benjamin, a metáfora das cidades; e Habermas reconstruiu todo o pensamento – . Porque em certo ponto o marxismo disse: “este é o materialismo histórico, e este é o que ele faz.” E a Escola de Frankfurt retrucou: “este é o materialismo histórico; isto é o que é certo a respeito dele, e aquilo é o que é errado a respeito dele, e é assim que ele funciona”. A EF além disso, e talvez seja o mais importante: ajudou o marxismo a libertar-se do dogmatismo – o qual se uniu ao marxismo durante o advento do socialismo. Além de ter influenciado, diretamente, o marxismo, a EF impactou a filosofia como um todo. O fez, através da preservação da noção de meta-análise da sociedade através de seus sistemas econômicos, políticos e sociais. Além, disso, introduziu a noção de filosofia social, e fez da teoria uma prática cotidiana
misturando problemas filosóficos e problemas empíricos.
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Algumas notas:
Hermenêutica – a ciência da interpretação e da explicação
Idealismo – o sistema teórico que nega a existência de corpos materiais, e ensina que nós não temos fundamentação racional para acreditar realmente em nada além de idéias e suas relações.
Dialética – relacionado a ou envolvendo dialética; “o método dialético” é qualquer sistema racional que faz surgir a verdade através de uma permutação de argumentos lógicos.
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1Traduzido por a.topos, texto original no site: http://filer.case.edu/~ngb2/Pages/Intro.html
2 opinião não solicitada; algo não importante, ou muito pequeno – provavelmente uma irnoa, talvez!? Passagem obscura, ao menos para mim. No original está como: The thought of the Frankfurt school is a dialogue, that resulted after Karl Marx added his proverbial “two cents” to the ongoing conversation of philosophy.
3 Passagem “obscura” (ao menos para mim… HeHe), no original: They then used the “fixed” Marxist theory as a measure modern society needed to meet.
4 Autonomia – imunidade à arbitrariedade do exercício da autoridade: independência política [sin. Liberty] 2: independencia pessoal.
5 Grünberg stressed the importance of the historical context of meaning and results to research.
6 Razão – é uma da faculdade da mente humana através da qual se distingue da ‘inteligência’ dos animais inferiores; está muito acima das faculdades cognitivas inferiores – como os sentidos, imaginação e memória; e em contraste com os sentimentos (feelings) e os desejos (desires). A razão compreende as faculdades de formular idéias, de julgar, de raciocínio e intuitiva.
7 racionalidade: é a qualidade de ser coerente com, ou fundamentado na logica [sinônimo de rationalness: racionalidade lógica]
8 objetivo – a respeito de, ou pertencente a um objeto; contido em ou que tem essência ou a localização em um objeto; exterior; externo; extrínseco; – um modo de se referir a qualquer coisa externa à mente, ou simplesmente um objeto do pensamento ou sensível – em oposição a algo subjetivo. Objetivo diz respeito a algo que se torna, ou procede de um objeto conhecido, e não de um conhecimento subjetivo, e dessa forma, denota algo que é real – em oposição a algo que se diz ideal – o que existe na natureza, em contraste com o que existe, meramente, no pensamento do indivíduo.
9 subjetivo: é principalmente relacionado a, ou derivado da própria consciência de alguém – distinta da observação externa; relacionado à mente, ou universo intelectual, em oposição ao mundo externo (material); excessivamente ocupado com ou, meditando a respeito de algo.
[…] outros textos sobre o assunto neste blogue: A escola de Frankfurt; Crítica da Razão Instrumental (Eclipse da Razão) – Prefácio à Segunda […]
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