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Archive for the ‘Traduções’ Category

Je ne vois que des infinités de toutes parts, qui m’enferment comme un atome et comme une ombre qui ne dure qu’un instant sans retour. Tout ce que je connais est que je dois bientôt mourir, mais ce que j’ignore le plus est cette mort même que je ne saurais éviter. Pascal, Pensées

Em português, talvez, seria algo como:

Vejo apenas infinidades por todas as partes, que me cercam como a um átomo e como a uma sombra que dura apenas um instante sem retorno. Tudo o que sei é que devo morrer em breve, porém, o que eu mais ignoro é exatamente essa morte que eu não posso evitar.

Que ódio dessa gente que pensa de forma semelhante, e consegue traduzir em palavras de modo infinitamente melhor! Que ódio do Machadão, que ódio no Niet, que ódio do Schops – QUE ÓOoOoOoOoDIO! UHAUHAHA

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Neste Link há uma proposta de tradução do Prefácio de 1934 do livro A lógica da Pesquisa Científica de Popper.

Para o bom entendimento texto é importante esclarecer com quem Popper estava dialogando. Isto é, quando ele fala em filósofos, ele está se referindo ao que hoje chamamos de Círculo de Viena – um grupo composto por filósofos e cientistas que desenvolveram o que ficou conhecido como “Filosofia da Linguagem“.

E a intenção de Popper é criticar esses filósofos e sobretudo os problemas levantados por eles à época. Cabe dizer ainda, que a filosofia da linguagem de hoje em dia, não é a mesma daquela época. (e eu não falei nada sobre ela, porque de fato eu não sei o que dizer ainda, porque mal li a respeito dela… hehehe).

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O Grupo de Astronomia Sputnik promoverá uma observação astronômica com telescópios em um evento aberto para todos!
Junto com a observação haverá palestras ao ar livre sobre tópicos básicos de astronomia.
Venha se maravilhar!
Data: 23/06/2010 (Quarta-feira);
Horário: das 19h às 22h;
Local: Praça do Relógio (USP – SP).
Contato:
sputnik.usp@gmail.com

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Conheça um opouco de Natsumi Soseki, escritor japonês que foi comparado com o nosso Machadão. Kokoro é o título de um de seus livros. E o texto que se segue contém um pouco da sua vida, obra, bem como, a respeito do livro em questão.

Natsumi Soseki – Kokoro (traduzido do japonês por EDWIN MCCLELLAN)

Prólogo1 do tradutor

 

Foi no decurso da dinastia Meiji, a qual durou de 1868 a 1920, que o Japão emergiu como uma nação moderna; e foi na última parte desse período que o romance moderno japonês alcançou sua maturidade, e assim, verdadeiros mestres – os quais tinham, em essência, um modelo (forma) literária ocidental – começaram a aparecer. Desses romancistas Natsume Soseki, provavelmente, foi o mais profundo e versátil.

Soseki nasceu em Tókyo, no ano de 1867, quando a cidade ainda era conhecida por seu nome antigo, a saber, Yedo. Ele foi educado na Imperial University, onde estudou literatura inglêsa. Em 1896 trabalhou no Fifth National College, em Kumamoto, e em 1900, foi enviado à Inglaterra como um literato (govermment scholar). Retornou ao Japão em 1903, e em abril do mesmo ano, Natsume sucedeu Lafcadio Hern como professor-pesquisador (lecturer) em literatura inglesa na Imperial University. Insatisfeito com a vida acadêmica, porém, em 1907 ele decidiu dedicar todo seu tempo a escrever romances e ensaios.

Soseki escreveu Koroko2 em 1914, ou seja, dois anos depois da morte do imperador Meiji, e dois anos antes de sua própria morte. Esse fomance foi composto no ápice de sua carreira, quando sua reputação como romancista já estava estabelecida. Neste romance, bem como em todos os seus escritos de relevo, Natsume trata sobre a solidão (islolamento) do homem do mundo moderno. De tal forma, que em um dos seus romances, o protagonistra clama: "Como eu posso escapar [da solidão], a não ser através da fé, loucura, ou da morte?" E para Sensei, o protagonista de Kokoro, o único modo de escapar de sua solidão é – a morte.

IT WAS during the Meiji era, which lasted from 1868 to 1912, that Japan emerged as a modern nation; and it was towards the latter part of this period that the modern Japanese novel reached its maturity, and true masters of what was essentially a western literary form began to appear. Of these novelists, Natsume Soseki was perhaps the most profound and the most versatile (vilúvel).

Soseki was born in Tokyo in 1867, when the city was still known by its old name of Yedo. He was educated at the Imperial University, where he studied English literature. In 1896, he joined the staff of the Fifth National College in Kumamoto, and in 1900, he was sent to England as a government scholar. He returned to Japan in 1903, and in April of the same year, he succeeded Lafcadio Hearn as lecturer in English literature at the Imperial University. He was dissatisfied with academic life, and in 1907 decided to devote all his time to writing novels and essays.

Soseki wrote Kokoro in 1914, two years after the death of Emperor Meiji, and two years before his own death. It was written at the peak of his career, when his reputation as a novelist was already established. In it, as in all his other important novels, Soseki is concerned with man’s loneliness in the modern world. It is in one of his other novels that the protagonist cries out: "How can I escape, except through faith, madness, or death?" And for Sensei, the protagonist of Kokoro, the only means of escape from his loneliness is death.

O suicídio do general Nogi, acontecimento tal que é comentado nas partes II e III de Kokoro, é, penso eu, um tanto quanto significativo para o entendento – não apenas do romance – mas também de Soseki. O acontecimento causou uma grande comoção na época. Afinal de contas, Nogi bem como Admiral Togo, foram, provavelmente, os heróis mais aclamados da guerra russo-japonesa. Entretanto, quando jovem, o general perdeu sua posição (banner) para o inimigo (na Satsuma Rebellion); devido a isso, trinta e cinco anos mais tarde – imediatamente depois da morte do imperador Meinji – ele deu cabo de sua vida. Para que pudesse remir sua honra, teve que aguardar não mais ter que servir seu imperador. E, tendo em mente o ponto de vista moderno do escritor, provavelmente não simpatizou com o ato do general – mas o personagem Sensei sim. Apesar da posição de Soseki a respeito da tradicional (old-fashioned) noção de honra, porém, ele não conseguiu privar-se de sentir o baque, afinal de contas, ele esteve – de alguma forma – imbuído no mundo que gerou o general Nogi. Esta é a razão pela qual – o crepúsculo da Era Meiji – é motivo de luto para Sensei: " Na noite do Funeral Imperial, eu me recolhi em meu escritório e ouvi o clamor do canhão. Para mim, soou como a última elegia da passagem de uma era. "

Kokoro é narrado, do início ao fim, em primeira pessoa. Devido a isso, o estilo é intencionalmente simples. No original, há beleza soba a superfície simples, especialmente na terceira parte. Eu só posso ter a esperança que, ao menos um pouco de graciosidade, tenha perdurado na tradução.

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1Prólogo traduzido, do inglês, por a.topos

2 A melhor tradução da palavra japonesa "kokoro" que eu já vi é de Lafcadio Hearn: "the heart of things". – tá! Sei que essa nota não ajudou nada, mas se vira aí (me ajuda): fiquei horas e horas traduzindo esse texto, não aguento mais olhar pra ele! (é que essa parte – na verdade – não é nota de rodapé, e aparece no final do prefácio…)

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Max Horkheimer – Crítica da Razão Instrumental1

Prefácio à segunda edição alemã2

O fato de perceber (de aceitar dentro de si) idéias eternas, tais que serviram ao homem como alvo (objetivo) eram chamadas, desde muito, de razão.

Hoje, porém, se considera que a tarefa, e inclusive a verdadeira essência da razão – consiste em alavancar meios afim de desfrutar os objetivos (fins) propostos em cada caso. Os objetivos que, uma vez alcançados, não se convertem em meios são considerados como superstição. Embora a obediência a Deus tenha servido sempre como meio para conquistar seus favores – e por outro lado como racionalização de qualquer tipo de demônio, de expedições conquistadoras e de terrorismo – os iluministas, tanto deístas, quanto ateístas: interpretaram os Mandamentos, a partir de Hobbes, como princípios morais socialmente úteis, destinados a fomentar uma vida livre de tensões; um acordo pacífico entre iguais, bem como, respeitar a ordem existente. Isenta de conotações teológicas — a sentença: “sê racional” equivale a dizer: observa as regras, sem as quais – nem o indivíduo, nem o todo – não se pode viver; não pense apenas em coisas momentâneas. A razão se realiza a si mesma quando nega sua própria condição absoluta – razão com um sentido enfático – e se considera como mero instrumento. Não que não haja sérias intenções de endossar teoricamente a afirmação da verdade racional. A partir de Descartes, grandes correntes da Nova Filosofia intentaram um acordo (harmonia) entre teologia e ciência. “A faculdade das idéias intelectuais (a razão)”3 desempenhava o papel de mediadora. “O divino de nossa alma consiste em sua capacidade para conceber idéias” — lemos nos escritos póstumos de Kant4. Nietzsche acusou semelhante fé na razão autônoma de atraso, porque: “segundo instintos valorativos alemães, tanto Locke como Hume, foram por si mesmos… demasiado lúcidos, demasiado claros”5. Para ele [Nietzsche], Kant foi um “atraso” (demorador)6. A razão não é nada além que um instrumento, e Descartes foi superficial”7. Como no caso de outros fenômenos culturais ofendidos pela decadência, o século XX repetiu o processo histórico. Em 1900, ano da morte de Nietzsche apareceu as “Logische Unterschungen” (Investigações Lógicas) de Husserl, com o objetivo de fundamentar mais uma vez – com rigor científico – a percepção do ente espiritual, a contemplação do essencial. Apesar de Husserl ter se ocupado principalmente das categorias lógicas, Max Scheler e outros estenderam sua teoria para que elas abarcassem estruturas morais. Desde o início, este esforço carregou o signo de renovador (restaurativo). A auto distinção da razão enquanto substância espiritual obedece a uma necessidade interior. A teoria precisa refletir e expressar tanto o processo e a propensão socialmente condicionada, quanto o neo-positivismo, também a instrumentalização do pensamento, bem como os vãos planos de salvação.

Atendendo aos rogos de publicar meus escritos em sua totalidade eu decidi selecionar, por enquanto, os trabalhos que produzi desde meados da década de quarenta. Eles surgiram na fronteira de minha atividade prática, da organização dos Studies in Prejudice, da administração acadêmica, da reconstrução do Instituto de Pesquisa Social, dos esforços em pró da reforma educacional. Me dei conta de que tais pedidos se referem àquele período no qual surgiu a teoria crítica, ante todos os ensaios publicados na revista, editada por Alcan em Paris, que eu dirigia, bem como os estudos inéditos e, não menos importante: a Dialética do Esclarecimento – esgotada há tempos, a qual tem como co-autor meu amigo Adorno. Com o fim do nacional socialismo – assim cria eu então — iria amanhecer, um novo dia, nos países progressistas – seja mediante reformas ou através de uma revolução; e começaria a verdadeira história da humanidade. Junto com os fundadores do “socialismo científico” tinha acreditado que necessariamente se estenderiam pelo mundo os s ganhos culturais da época burguesa, o livre desdobramento das forças, a produtividade intelectual, e tudo isso, sem levar o estigma da violência da exploração.

No entanto, o que verifiquei desde aqueles tempos não parou de afetar meu pensamento. Sem dúvida alguma, os Estados que se dizem comunistas e fazem uso das mesmas categorias marxistas – para as quais minha atividade teórica tanto deve – hoje em dia já não estão próximos do advento daquele novo dia em que os países nos quais, por enquanto, a liberdade do indivíduo não tenha sido extinta 8. Tendo em vista tal situação – há de ser publicado agora – contíguo a ensaios anteriores, as reflexões sobre a razão. Junto com tais reflexões podem hoje servir de base à dúvida – de grande gravidade teórica – a respeito do ponto ao qual o reino da liberdade, uma vez realizada, não há de transformar-se necessariamente em seu contrário: na automatização, tanto da sociedade, quanto do comportamento humano.

Mas Horkheimer

Maio 1967

1Horkheimer, Max. Crítica de la Razón Instrumental.Editorial SUR, S. A., Buenos Aires. 1973

Versión castellana de H. A. MURENA y D. J. VOGELMANN; Título del original en alemán: ZUR KRITIK DER INSTRUMENTEL.L.EN VERNUNFT

2Traduzido do Espanhol por a.topos

3Kant, Kritik der Urteilskraft, Ed. Ak., vol. V, pág 315.

4Iind., XVIII, pág. 130

5Nietzsche, Nachlass, Obras. ed. Kroener, vol. XV. Pag. 217

6Ibid.

7Jenseits von Gut und Böse. III, pág 191

8“no se encuentran hoy día más próximos al advenimiento de aquel nuevo día que los países en los cuales por el momento no se ha extinguido todavía la libertad del individuo” – no original.

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28, outubro, 2008

A tosse – captada em filme – envolta em mistérios

por Denise Grady – Fonte

No romance de Dahl, intitulado como “The B. F. G” – um dos personagens “a big friendly giant” que da título à obra captura sonhos numa jarra de vidro. Na Universidade Estadual da Pensilvânia, um professor de engenharia captou, num filme, algo não muito excêntrico, mas também não muito efêmero: um ato de tossir.

A imagem publicada image  na internet em 9 de outubro pelo “The New England Journal of Medicine” foi feita por meio de uma schlieren photography1, “que pega um fenômeno invisível e o retorna, visível, em uma fotografia”, disse o professor Gary Settles, o qual é o diretor do laboratório de dinâmica dos gazes da universidade.

Schlieren é a palavra Alemã para “streaks” (que ao pé da letra há vários significados como: raio (de luz), camada, linha, mas no nosso caso seria): regiões de diferentes densidades num gás, ou num liquido, que podem ser fotografados como shadows (lugar sombreado) através de uma técnica. “Nós utilizamos muito essa técnica no meu laboratório” disse o doutor. E completa: “tal técnica é mais frequentemente utilizada em outros objetos, como por exemplo: supersonic wind tunnels2 – o fazemos afim de tornar visível as ondas de choque em torno das aeronaves de alta velocidade”. O processo envolve um uma pequena fonte de luz brilhante – metodicamente colocados numa lente (objetivas) –, um espelho curvo, uma lâmina que obstrui parte do feixe de luz, bem como outras ferramentas que tornam possíveis ver e fotografar distúrbios no ar. No âmbito dos gazes dinâmicos, uma tosse – em princípio — não passa de “um jato turbulento de ar com variações de densidade”. Porém, apesar da tosse lançar [ao ar] tuberculose, SARS, influenza (vírus da gripe) e outras doenças – nós surpreendentemente sabemos pouco sobre elas, ou nas palavres de Settles: “nós temos pouco entendimento a respeito de fluxo de ar”.

Para mapear uma ‘tossida’, ele agrupa-se com Dr. Julian Tag, de Singapura, que um especialista em vírus. Então, — e é aqui que entra a importância de “ver uma tosse” — um estudante saudável tosse, o ar expelido viaja a 18 milhas por hora3 e ao se misturar com o ar frio que está em volta “produzindo temperaturas diferentes e isso faz com que os raios de luz se curvem em diferentes quantidades” disse Settles, e prosseguiu dizendo que: “o próximo passo é colocar um par de pessoas e colocá-los, a conversar, lado-a-lado, diante um espelho; ou um tossindo no outro. Assim você vê como o fluxo de ar se move, assim, como uma pessoa infecta outra. Ou ainda, vê como um espirro pode espalhar, pelo ar, algo infeccioso num hospital.

Isso, de fato, é uma sugestão de como nós podemos estudar tudo isso. A técnica utilizada em wind tunnels pode ser usado a respeito de doenças humanas”.

Outras schlieren images (as quais podem ser vistas aqui) mostram a agitação do ar e as ondas de choque em decorrência de um tiro com arma de fogo; um Airedale (cachorro da família dos ‘terrier’) cheirando uma flor; e o mundo invisível (a olho nu) em torno de uma vela. A primeira fotografia, feita em uma maquete em tamanho real — capturou em o relampejar de uma explosão em baixo de um manequim sentado em um avião — e a propagação das ondas de choque dentro da cabine. A explosão foi recriada, a partir de um atentado terrorista em 1994, que – através de uma bomba de nitroglicerina — levou à baixo um avião da Philippine Airlines. O avião não chegou a ser destruído, porém, foi suficiente para matar o passageiro que estava sentado no local da bomba. A simulação usou uma explosão menos intensa que a bomba original.

“a simulação nos ajuda a entender como a energia de uma boba a bordo se difunde pela cabine”, ele diz, e completa: é útil, também, para conferir (testar) resultados de simulações de explosões feitas no computador.”

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1 Termo técnico, que significa algo como: espécie fotografia que mostra (explicita) camadas de material, invisíveis a olho nu, as quais diferem — seja pela densidade ou composição (química) — de materiais que estão em volta.

2 Veja uma imagem de exemplo para visualizar melhor o tal túnel – como será dito em seguida, acontece, por exemplo, quando um objeto ultrapassa a velocidade (barreira) do som. Veja mais sobre os Transonic and Supersonic Wind Tunnels aqui (em inglês, porque não tive tempo para traduzir).

3 O que em quilômetros seria (se não me engano) em torno de 28 k/h

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A Escola de Frankfurt – uma breve (muito breve mesmo) introdução 1

Introdução

Imagine-se em um aposento do século 19. Esse aposento é um lugar no qual há longas conversas. Há uma conversa primordial, onde um grupo de homens muito idosos apresentam questões e definem o tom (forma) da discussão. Há uns que estão, de alguma maneira, reagindo às idéias dos homens antigos. Há outros, os verdadeiramente profundos, inovadores, senão “estranhos” afirmam suas próprias observações, e esforçam-se afim de entrar em diálogo com os homens antigos. Pessoas chegam e saem do aposento. Fora os já citados, há – também – quem se se agrupe em torno de seu seu orador favorito, são atraídos por determinados grupos – pelo fato de compartilharem um assunto (tema) específico.

A imagem do aposento representa a totalidade da Filosofia Ocidental. O homem antigo, representa os filósofos clássicos – tais como Sócrates e Platão. Os profundos, inovadores e ‘bizarros’, são os pensadores modernos como Hegel e Marx. E, finalmente, a Escola de Frankfurt a qual consiste a categoria daqueles agrupados em torno de seus oradores prediletos. Ou seja, a Escola de Frankfurt não é um lugar, mas sim, uma escola de pensamento — um conjunto de teorias similares que tem como foco o mesmo assunto. O pensamento da Escola é um diálogo, que resultou depois de Karl Marx acrescentou seu notório “two cents2 ao progressivo debate da filosofia.

Os acadêmicos que originaram a Escola de Frankfurt eram todos, direta ou indiretamente, associados a um orgão chamado Institute of Social Research (Instituto de Pesquisa Social). O apelido (nickname), por assim dizer, dos pensadores teve origem devido à localização do instituto – Frankfurt, Alemanha. Aqueles que contribuíram de forma mais significativa à escola de pensamento são: Theodor W. Adorno (1903-1969) filósofo, sociólogo e musicologista; Walter Benjamin (1892-1940) ensaísta e crítico literário; Herbert Marcuse (1898-1979) filósofo; Max Horkheimer (1895-1973) filósofo e sociólogo. E mais tarde Jungen Habermas (Düsseldorf, 18 de Junho 1929). Cada um desses filósofos confiava na teoria do Materialismo Histórico de Marx – até certo ponto… Todos eles acompanharam o advento do Comunismo na Russia, culminando, mais tarde, no fascismo na Itália. Eles viveram a primeira guerra mundial (1914 – 1918), o ápice e a queda de Hitler; e obviamente, a devastação provocada pelo Holocausto. Eles erigiram reações, isto é, tentativas de reconciliar a teoria marxista com a realidade na qual, tanto as pessoas, quanto os governos – estavam inseridos. Cada um dos membros da Escola de Frankfurt ajustou o Marxismo com seus próprios acréscimos – ou “jeitinho” (fix) se você preferir. Em seguida, usaram a teoria marxista “estabelecida” (fixed), com o objetivo de avaliar o quanto a sociedade moderna necessitava encontrar-se3. Essas idéias vieram a ser conhecidas como “Teoria Crítica”.

História da Escola de Frankfurt

Foi a partir do Institut für Sozialforschung (Instituto de Pesquisa Social), que surgiu a Escola de Frankfurt. No início, ambos eram indistinguíveis. O Instituto começou como parte da Universidade de Frankfurt, na Alemanha. O instituto foi fundado por Felix Weil em 1923, e pôde funcionar com grande autonomia4. Car Grünberg foi diretor do Instituto entre os anos de 1923-1929. Grünberg um marxista “confesso”, e devido a isso fez com que a base teórica do programa do Instituto fosse marxista – entretanto, o Instituto não teve qualquer afiliação partidária. Ele enfatizou a importância do contexto histórico — do significado, bem como dos resultados – à investigação5. Max Horkheimer assumiu a direção do instituto em 1930; e, por sua vez, enfatizou a relação entre a filosofia social e a ciência. Seu foco principal foi um estudo interdisciplinar. Como Grünberg, Horkheimer acreditava que a teoria marxista deveria ser a base do Instituto de Pesquisa.

Em 1933, o Instituto foi forçado a deixara a Alemanha por conta da tomada de poder pelos Nazistas, e durante os anos de 1933-1935, a localização do instituto foi em Genebra, Suíça. Em torno de 1935, o endereço foi mudado para Nova Iorque; e em 1941, o Instituto mudou – novamente – de endereço e dessa vez para Califórnia. Durante esse período, ele enfrentou muitos problemas – incluindo uma audiência, na qual foi discutida o seu funcionamento. Porque, em vez de escrever para outros meios acadêmicos Alemães, eles começaram a escrever para cientistas sociais americanos. E Isso, somado às mudanças de localização e as perturbações causadas pelos nazistas — criou problemas para os membros do Instituto. Por volta de 1953, o Instituto foi permitido a voltar para a Universidade de Frankfurt, na Alemanha. Adorno assumiu a co-direção com Horkheimer em 1955. Até que em 1959 Adorno veio a falecer, e Horkheimer em 1973. Assim, O Instituto de Pesquisa Social persistiu, mas não com a alcunha de Escola de Frankfurt.

Max Horkheimer – O eclipse da Razão

O livro de Horkheimer intitulado “Eclipse da Razão”, ocupa-se com o conceito de “razão”6 no âmbito da filosofia ocidental. O autor define a “verdadeira razão”, como racionalidade7. Então ele define a diferença entre razão objetiva8 e razão subjetiva9. A primeira diz respeito a verdades universais, as quais ditam que uma ação é certa ou errada. A razão subjetiva — por outro lado – leva em conta, tanto a situação, quanto as normas sociais: as ações que proporcionam a melhor situação para o indivíduo são “reasonable” (lógicas, racionais) concordando com a razão subjetiva. O movimento do primeiro tipo de razão para o outro, ocorreu quando o pensamento não pôde mais acomodar as tais verdades objetivas, ou quando elas foram julgadas ilusórias. Submetida às verdades subjetivas, os conceitos perdem seus significados. Todos os conceitos precisam ser estritamente funcionais para que sejam racionais. Devido as regras da razão subjetiva, tanto os ideais de sociedade, quanto os de democracia – por exemplo – se tornam dependentes de “interests” (interesses) das pessoas, em vez de serem dependentes de verdades objetivas.

Horkheimer escreveu o “Eclipse da Razão”, o livro foi influenciado (inspirado) pelo poder dos nazistas sob à Alemanha. Ele descreve como os nazistas foram capaz de fazer sua agenda (aparentar) ser racional. Além disso, é uma emissão de advertência para que isso não ocorra novamente. O autor, acredita que as calamidades da sociedade moderna são causadas pelo mal uso da razão, bem como por tê-la interpretado mal. E se as pessoas usaram a “verdadeira razão” afim de criticar suas sociedades, elas serão capazes de identificar e resolver os problemas delas [das sociedades].

Conclusão

Então, depois dessa navegada, o que a Escola de Frankfurt realmente fez? Bom, se nós usarmos a imagem da filosofia como uma longa conversa (debate) – como foi feito no início do texto – veremos que Escola lançou o materialismo histórico para o centro do aposento (da discussão). Isso forçou a ideologia marxista a horizontalizar seu propósito e levar em consideração questões pendentes, tais como: “de que forma as pessoas e as instituições interagem?” Notaremos, também, o impacto da Escola de Frankfurt no marxismo e que ela o validou analisando e provando a “evidência empírica” de sua existência. Ela forneceu uma metodologia ao marxismo. – E isso, sob através de uma interdisciplinaridade: Horkheimer utilizou a noção de racionalidade como uma maneira de explicar e descrever o materialismo histórico; Adorno, por sua vez utilizou a linguagem; Benjamin, a metáfora das cidades; e Habermas reconstruiu todo o pensamento – . Porque em certo ponto o marxismo disse: “este é o materialismo histórico, e este é o que ele faz.” E a Escola de Frankfurt retrucou: “este é o materialismo histórico; isto é o que é certo a respeito dele, e aquilo é o que é errado a respeito dele, e é assim que ele funciona”. A EF além disso, e talvez seja o mais importante: ajudou o marxismo a libertar-se do dogmatismo – o qual se uniu ao marxismo durante o advento do socialismo. Além de ter influenciado, diretamente, o marxismo, a EF impactou a filosofia como um todo. O fez, através da preservação da noção de meta-análise da sociedade através de seus sistemas econômicos, políticos e sociais. Além, disso, introduziu a noção de filosofia social, e fez da teoria uma prática cotidiana

misturando problemas filosóficos e problemas empíricos.

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Algumas notas:

Hermenêutica – a ciência da interpretação e da explicação

Idealismo – o sistema teórico que nega a existência de corpos materiais, e ensina que nós não temos fundamentação racional para acreditar realmente em nada além de idéias e suas relações.

Dialética – relacionado a ou envolvendo dialética; “o método dialético” é qualquer sistema racional que faz surgir a verdade através de uma permutação de argumentos lógicos.

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1Traduzido por a.topos, texto original no site: http://filer.case.edu/~ngb2/Pages/Intro.html

2 opinião não solicitada; algo não importante, ou muito pequeno – provavelmente uma irnoa, talvez!? Passagem obscura, ao menos para mim. No original está como: The thought of the Frankfurt school is a dialogue, that resulted after Karl Marx added his proverbial “two cents” to the ongoing conversation of philosophy.

3 Passagem “obscura” (ao menos para mim… HeHe), no original: They then used the “fixed” Marxist theory as a measure modern society needed to meet.

4 Autonomia – imunidade à arbitrariedade do exercício da autoridade: independência política [sin. Liberty] 2: independencia pessoal.

5 Grünberg stressed the importance of the historical context of meaning and results to research.

6 Razão – é uma da faculdade da mente humana através da qual se distingue da ‘inteligência’ dos animais inferiores; está muito acima das faculdades cognitivas inferiores – como os sentidos, imaginação e memória; e em contraste com os sentimentos (feelings) e os desejos (desires). A razão compreende as faculdades de formular idéias, de julgar, de raciocínio e intuitiva.

7 racionalidade: é a qualidade de ser coerente com, ou fundamentado na logica [sinônimo de rationalness: racionalidade lógica]

8 objetivo – a respeito de, ou pertencente a um objeto; contido em ou que tem essência ou a localização em um objeto; exterior; externo; extrínseco; – um modo de se referir a qualquer coisa externa à mente, ou simplesmente um objeto do pensamento ou sensível – em oposição a algo subjetivo. Objetivo diz respeito a algo que se torna, ou procede de um objeto conhecido, e não de um conhecimento subjetivo, e dessa forma, denota algo que é real – em oposição a algo que se diz ideal – o que existe na natureza, em contraste com o que existe, meramente, no pensamento do indivíduo.

9 subjetivo: é principalmente relacionado a, ou derivado da própria consciência de alguém – distinta da observação externa; relacionado à mente, ou universo intelectual, em oposição ao mundo externo (material); excessivamente ocupado com ou, meditando a respeito de algo.

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