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Posts Tagged ‘Literatura’

Ocaso medicamentoso

 

Doa a quem doar

Redivivo mais um dia bilioso.

 

Por Zeus, acuda-me do tédio!

Remédio!

Anseia não sentir-se oprimido?

Comprimido!
Conjecturar me refuta o futuro

Penso logo desisto, e agora?

E o porvir já não me atina

Calma, não apavora

Isso tudo tem cura, magina…:

Cloridrato de fluoxetina 😉

Eça é uma boa!!!!

 

Inibe a recaptação de serotonina

Alentando-a pela corrente sanguínea.

 

Ora, que melhora, depois da verotina

Porém, a libido já não se me tem.

Ah! Bupropiona funciona muito bem

Ai de mim! – o estômago que agora reclama

Omeoprazol para isso; é bacana!

Atópico

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Je ne vois que des infinités de toutes parts, qui m’enferment comme un atome et comme une ombre qui ne dure qu’un instant sans retour. Tout ce que je connais est que je dois bientôt mourir, mais ce que j’ignore le plus est cette mort même que je ne saurais éviter. Pascal, Pensées

Em português, talvez, seria algo como:

Vejo apenas infinidades por todas as partes, que me cercam como a um átomo e como a uma sombra que dura apenas um instante sem retorno. Tudo o que sei é que devo morrer em breve, porém, o que eu mais ignoro é exatamente essa morte que eu não posso evitar.

Que ódio dessa gente que pensa de forma semelhante, e consegue traduzir em palavras de modo infinitamente melhor! Que ódio do Machadão, que ódio no Niet, que ódio do Schops – QUE ÓOoOoOoOoDIO! UHAUHAHA

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Os alunos do terceiro ano da Escola de Arte Dramática (EAD) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – encenarão o espetáculo Tebas.

A peça é feita a partir de quatro diferentes tragédias gregas: Édipo Rei, Édipo em Colono, Sete contra Tebas e Antígona. Numa única sequência, o espetáculo mostra a trajetória desde Édipo, ainda rei, até a morte de sua filha Antígona, depois da guerra promovida pelos irmãos. As cenas são realizadas também no espaço externo ao teatro e usam várias linguagens artísticas.

Quando: de terça-feira a sábado, às 21 horas, e domingo, às 20 horas. De 7 a 19 de dezembro, o espetáculo Tebas, com direção de Luís Mármora.

Como chegar: Teatro Laboratório da ECA, Sala Alfredo Mesquita (Rua da Reitoria, 215, Cidade Universitária, São Paulo — travessa da Av. Professor Luciano Gualberto).

Preço: entrada franca, e a bilheteria abre uma hora antes do início do espetáculo

O espetáculo é recomendado para maiores de 12 anos e tem duração de 120 minutos.

Mais informações: (11) 3091-4376

créditos: Publicado em 29/novembro/2010 – Do USP Online – agenusp@usp.br

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Antes de mais nada, algumas dicas (porque eu sou bonzinho):

a) Mew… Faça uma lista com as prioridades:
os livros dos sonhos e/ou os mais caros. Tendo em vista a lista: agrupe os títulos por editora. Porque a Festa é organizada por editoras, daí basta dar a lista na mão do vendedor: “quero todos esses”.
Daí evita de ficar de um lado para o outro como barata tonta 😉

b) Dê preferência a dinheiro vivo, porque – geralmente – a rede das maquinas de cartão de crédito ficam ‘fora do ar’ por horas – devido a quantidade de gente comprando. Geralmente aceitam cheque!

c) Ah sim: preste muita atenção no estado do livro, porque mew… Acredite: não é à que toa os  livros estão ali – pela metade do preço.

Ou você pensa as pessoas são boazinhas, principalmente aquelas que dizem “eu te amo, de corpo e alma, e meu amor é puro”!? Pois pensou errado! Porque, depois de três anos e meio – tentando fazê-la feliz, inutilmente, porque ela não poderia ser feliz escondendo algo no coração; depois dela ter vivido todo este tempo movida pelo ciúme, que corroía o relacionamento; depois de tê-lo deixado semear e cultivar o amor num campo minado, onde havia uma bomba-relógio-atômica escondida: te acusando, julgando e condenado por crimes que você não cometeu: “você tem outra, há outra no seu coração, você não me ama” nhe, nhe, nhem, depois ela diz: “pois não é que tinha alguém no meu coração, há mais de sete anos ? – e agora estamos juntos, e a culpa é toda sua  – porque você que me afastou de ti [e nem metade da ‘culpa’ é dela, devido ao ciúme e a projeção do que ocorria com ela, né!? isso não… claro que nao, magina!]. E agora estou feliz, me sentindo leve e serena: passar bem”.

d) Por fim,  tente ir logo no primeiro dia, e o mais cedo que puder. Porque no dia 26 só terá o resto do resto!

A 12ª edição da Festa do livro da USP  será realizada nos dias 24, 25 e 26, das 9 às 21 horas, no saguão do prédio da Geografia e História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Todos os livros vendidos durante o evento terão, obrigatoriamente, desconto mínimo de 50% em relação ao preço de capa praticado pelos editores.

Organizada pela Editora da USP (Edusp), a Festa do Livro da USP é um evento gratuito e aberto ao público geral. O endereço do prédio da Geografia e História é Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo.

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A vida, filha do acaso, nada; um dos grandes problemas contemporâneos – a estupidez da maioria

Jornal do Brasil  / Data: 15/1/2005

O seguinte artigo tem em vista o livro de Tchekhov entitulado: “Minha Vida” – que é a história do Missail Poloznev: um homem que ‘rompe com o pai e com sua classe quando decide exercer um trabalho físico, compartilhado com plebeus e mujiques’.

Maurício Gonçalves A interpretação da obra [Minha vida] do russo Anton Tchekhov tem duas vertentes contraditórias: uns vêem nos escritos do habilidoso contista crítica social; sonhos de um mundo melhor. Estes primeiros querem um escritor revolucionário, voltado para o coletivo. A segunda leitura arranca das entranhas de Tchekhov um pessimismo permeado de ironia. Constrói a figura de um humorista descrente, cansado de tudo. Assim nos esclareceu Otto Maria Carpeaux num artigo intitulado ”O acontecimento”. Sigamos a pista do crítico austríaco.

Anton Pávlovitch Tchekhov viveu em um tempo de crise. Nascido em 1860, o autor de obras teatrais que fundariam o realismo do Teatro de Arte de Moscou pôde observar a mudança de valores que ocorreu nas cidades oitocentistas. A Revolução Industrial do século 18, reestruturando as sociedades com sua ênfase no capital, na sua acumulação e multiplicação, fez com que aqueles antigos habitantes dos burgos ascendessem: é a burguesia que passa a questionar a divina imobilidade aristocrática. Quantas histórias não foram criadas a partir desse embate – de um lado, nobres sustentados apenas pela tradição do nome; do outro, burgueses indecisos entre a adesão, a criação de um passado através da compra de títulos, ou a ruptura com um pensamento atrasado. Conta-nos a crônica da época que nobres, vários deles, também romperam com sua classe social.

Nobre de nascença, Missail Poloznev entedia-se com seu cotidiano burocrático em empregos ”arranjados”. Rompe com o pai e com sua classe quando decide exercer um trabalho físico, compartilhado com plebeus e mujiques. Missail deixa sua cidade e vai trabalhar na construção de uma ferrovia, em busca de um sentido para a própria vida. Essa caminhada cheia de percalços forma o enredo do livro. Partindo do ponto de vista da crítica social, temos um protagonista idealista, que acredita no poder transformador do trabalho, da auto-subsistência. Macha, a filha do engenheiro que lhe dá o emprego na ferrovia, apaixona-se por esse homem. Casados, resolvem reformar uma escola. A educação é um ponto fundamental para a mudança da sociedade. A escolha existencial de Poloznev enfatiza o livre-arbítrio, capaz de mudar o próprio destino.

É curioso notar que o idealismo de Missail carrega-o para um tipo de vida que ele acha mais relevante a que tinha levado até então. Tchekhov não toma partido de personagem algum e revela-nos uma paisagem desoladora. Também os pobres são desonestos e injustos. A trapaça e a vodka apequenam aqueles trabalhadores. Há corrupção, preconceito e intolerância como nas classes mais altas. Missail é mal aceito entre a gente simples, precisa usar o suborno para dar andamento aos seus projetos. Ele presencia o nascimento de um tipo que mais tarde o filósofo Ortega y Gasset iria batizar como homem-massa: sem obrigações de nobreza, apressado, sem memória. Ele está em todas as classes sociais. Eis um dos grandes problemas contemporâneos – a estupidez da maioria; a ignorância reinante que generaliza e simplifica – detectados neste livro. O escritor nunca descamba para o grandioso ou para épico; não quer saber do romantismo. Ele sabe que somos muito menores do que aceitamos: ”Diga-me, qual é a força que nos impede de reconhecer a verdade daquilo que pensamos?”, pergunta-se Missail. Formado em medicina, o médico Tchekhov precisou desenvolver a percepção para o não aparente, para a doença que o corpo não diz. Os silêncios são tão ou mais importantes do que as falas nos textos do russo. O não-dito é uma espécie de constrangimento significativo. E já podemos concluir: o ensaísta inglês Isaiah Berlin escreveu que o constrangimento é filho do conhecimento. A vida, filha do acaso, descobre um Tchekhov constrangido, nada significa.

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