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Archive for the ‘Cinema’ Category

Antes de mais nada – a confissão: roubado do blogue: http://vidaincoerente.wordpress.com/, HehEHE. Tá pensando o quê? Aqui se faz, aqui se paga, queridinha! AHUAHAHA

… Sim, tenho pensado bastante. As coisas que acontecem ao meu redor (muitas, acredite), as coisas do dia-a-dia, os filmes que tenho assistido e um livro, em especial, me deixa em ebulição.

Recomendado por uma amiga na sexta, comprei no sábado: “A arte de ter prazer. Por um materialismo hedonista”, do filósofo Michel Onfray. A leitura não é das mais fáceis e tb não é de sacanagem, como muitos vão pensar.

O livro explica a visão de alguns filósofos sobre o corpo. To reduzindo beemmmm o contexto do livro porque não é sobre isso que quero falar, mas sobre as primeiras páginas. Sério, se tivesse parado a leitura por ali já estaria preenchida. Foi a descrição mais perfeita de um enfarto que já li em toda a minha vida. Sei que nunca enfartei, pelo menos não fisicamente, mas consegui sentir, como leitora, cada dor expremida naquelas palavras. Um texto belo, corrido, perfeito. Fiquei fascinada. Queria muito escrever daquela forma.

Eis um trecho: “Meu corpo parecia se escoar por uma fenda talhada a navalha que eu sentia como o avesso do meu coração. A brecha engolia minha carne, meu sangue e tudo o que pudesse apresentar-se sob forma de alma. Os músculos se retesavam até a tetanização, a mineralização, e o ritmo cardíaco se transformava em estridências. A consciência desaparecia naquele apocalipse que se tornara seu único objeto; eu já não era mais que uma imensa dor acompanhada de contorções, buscando desesperadamente uma posição aplacadora. Em vão. Às vezes, num jogo de reflexos, eu me via metamorfoseado em sofrimento puro, como que diáfano ou cristalino, prestes a me quebrar em estilhaços e fragmentos múltiplos. Eco singular de uma decomposição de tipo geológico.

A concentração da dor em um ponto de atordoante  densidade abolira toda distância entre a dor e a consciência que pudesse apreendê-la. Uma estranha alquimia liquefazia a carne em energia ardente. Cada instante ameaçava uma pulverização que siginificaria o fim – que eu desejava.

O médico diagnosticou um enfarte, eu ia fazer 28 anos, e naquela segunda-feira, 30 de novembro, meu corpo experimentou uma sapiência que se transformaria em hedonismo”

Perfeito, não? E tem mais. Saca como termina este primeiro capítulo:

….”Os batentes da porta se abriram, o leito foi retirado da sala de reanimação e o cadáver se foi, para outro lugar, passando coberto pelo sudário diante das visitas e da família que esperavam no corredor. Ao meu lado, eu não conseguia desviar o olhar do buraco deixado pelo lugar vazio da cama que fora levada. Morrer era, portanto, muito simples. Depois daquela lição das trevas, restava fazer do corpo um parceiro da consciência, reconciliar a carne e a inteligência. Toda existência é construída sobre areia, a morte é a única certeza que temos. Trata-se menos de dominá-la do que de desprezá-la. O hedonismo é a arte desse desprezo.”

E isso sem falar das citações ao longo do livro. “Viver de modo que imperiosamente desejes reviver, é esse o teu dever”, Nietzsche. ou “Desfruta e faz desfrutar, sem fazer mal nem a ti nem a ninguém: essa é, creio eu, toda a moral”, Chamfort.

Não é pra mexer com a cabeça de qq um? Pois a minha está fervendo.. que bom !

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ele [Gruel] me mostrou um promo com cinco minutos do filme. Achei muito legal;[Letícia Sabatella] Desabrocha por inteiro em Romance; o que leva um diretor de comédia a mudar o tom?

Veja mais sobre o filme e sobre o diretor clicando aqui

Guel Arraes
por Luiz Carlos Merten – 11:33:15.

Fernando Meirelles já me havia falado maravilhas de Romance, o novo filme de Guel Arraes, que vai ser distribuído pela Buena Vista. É curioso que ele tenha me falado bem do Guel um ou dois dias de o Babenco (Hector) me dizer que adorava Lisbela e o Prisioneiro. Fui ontem ao Rio para entrevistar o Guel. O assunto não era Romance, mas ele me mostrou um promo com cinco minutos do filme. Achei muito legal. Guel fez o seu Tristão e Isolda. O filme conta a história de um casal de artistas, ele, diretor, ela atriz. Separam-se, ela vira estrela de TV, mas o convida para dirigí-la numa adaptação de Tristão e Isolda. Os dois vão levar o projeto aos patrocinadores. Todo mundo é contra. Imaginem – uma história depressiva, em que os amantes morrem no fim. Que espectador vai querer ver isso? É a pergunta que os protagonistas ouvem o tempo todo. É arriscado, senão impossível, avaliar um filme por meio de um promo de cinco minutros, mas o material é forte. Promete. Wagner Moura e Letícia Sabatella fazem os amantes. Andréa Beltrão e Wladimir Brichta formam o outro casal. Letícia era meio tati-bitati na TV, uma mulher-criança. Fez aquela freirinha chata na novela do Manoel Carlos (vi só alguns capítulos, mas não gostava nem um pouco). É preciso começar a vê-la com outros olhos. Letícia já está bem em Não por Acaso, mais mulher. Desabrocha por inteiro em Romance. Guel fez algum teatro, mas é homem de TV e cinema. Ele próprio brinca – diz que é cult na TV e comercial no cinema (pelo menos é o que dizem os críticos). Pedro Cardoso, depois de ver Romance, disse a Guel que, de todos os diretores de sua geração, foi ele que fez o mais belo tributo do cinema brasileiro ao teatro. Isso só aumentou minha vontade de ver Romance. A estréia deve ser somente depois do Festival do Rio. Comédia da Vida Privada, Auto da Compadecida, Lisbela – o que leva um diretor de comédia a mudar o tom? Guel me deu a resposta mais inesperada do mundo – diz que Romance tem mais a cara dele, enquanto homem, que é deprimido, coisa e tal. E o humor, perguntei? É uma técnica que aprendi, respondeu. Romance tem alguns alívios cômicos, mas é um drama soturno. Conversamos sobre Tristão e Isolda e eu falei no filme do Chabrol, Os Primos. Guel conhece Nas Garras do Vício (Le Beau Serge), o primeireo longa do diretor, mas não o segundo. Os Primos, de 1958/59, no alvorecer da nouvelle vague, é o Tristão e Isolda de Chabrol, com direito a música de Wagner e tudo. Guel ficou curiosíssimo. Diz que vai atrás. Não interessa mais como material de pesquisa, mas ele quer ver como Chabrol tratou o assunto. Ah, sim – Jean-Claude Brialy, que morreu há duas semanas, é o protagonsta, com Gérard Blain. A mulher, a Isolda, é Juliette Mayniel, que não fez carreira no cinema. Tinha belos olhos claros, imagino que verdes. Na suntuosa fotografia em preto-e-branco de Chabrol, assim me pareceram.

16.06.07

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Linda, talentosa e carismática, Letícia Sabatella tornou-se um sucesso tão logo foi
apresentada ao público em sua estréia na novela “O Dono do Mundo”, da TV Globo, em
1991. Até então, ela havia feito apenas uma participação na TV, a convite do diretor
Luiz Fernando Carvalho, na Terça Nobre. A partir daí, a atriz mineira, criada em
Curitiba, acumulou participações em produções da TV (“Agosto”, “JK”, “Páginas da
Vida”, “O Clone”) e no teatro.
A estréia no cinema aconteceu em 1997, com “Decisão”, de Leila Hipólito, e foi
seguida de “Bella Donna” (1998), dirigido por Fábio Barreto.

Filmografia:
1. Não Por Acaso (2007)
2. Vestido de Noiva (2006)
3. O Xangô de Baker Street (2004)
4. Durval Discos (2002)
5. O Tronco (1999)
6. Bela Donna (1998)
7. Decisão (1997)

ENTREVISTA COM LETÍCIA SABATELLA

1 – Você já tinha vivido a Isolda no teatro?
LS – Nunca, embora já conhecesse a sua história e, principalmente, a ópera de Wagner.

2 – Como recebeu o convite para viver a Ana em “Romance”?
LS – Guel é um diretor que tem uma linguagem muito própria. Ele veio com essa idéia
de experimentar contar a história do amor romântico e deste triângulo amoroso. Já tinha
muita vontade de trabalhar com ele.

3 – E como foi a parceria com o Wagner Moura?
LS – Foi maravilhosa. Ele muitas vezes foi o meu apoio porque o Guel tem um jeito de
filmar que é bastante criativo e cartesiano ao mesmo tempo.
Então, às vezes é difícil você se encaixar dentro do que ele imaginou. Nessas horas,
Wagner me ajudou muito.

4 – Ajuda ou dificulta o fato de viver uma personagem que tem a sua profissão?
LS – Foi um desafio, um processo de crescimento. A história brinca com a mistura de
sentimentos entre atores e personagens e isso acontece de verdade. Ao você achar o
outro personagem bonito, você usa a sua sensibilidade e enxerga também a beleza do
ator que está ali como seu companheiro de cena.

5 – Você é conhecida pelo cuidado em se preservar. Sentiu dificuldade nas cenas de
amor?

LS – Foi tão marcada, tão desenhada. Guel é muito delicado e também tem pudor em
relação à exposição excessiva. Como eu, não queria nada gratuito.

(Veja o Manifesto Contra a Nudez, do ator Pedro Cardoso (o Agostinho, da Grande Família))

Fonte: Site do Filme

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Jorge Furtado – Co-roteirista

O nome de Jorge Furtado tornou-se conhecido após o estrondoso sucesso do curtametragem “Ilha das Flores” (1989), ganhador do Urso de Prata no Festival de Berlim e nada menos do que cinco Kikitos no Festival de Gramado, para citar apenas algumas de
suas premiações. Desde então, Jorge consolidou sua carreira de criador, alternando ou
acumulando os papéis de roteirista e diretor, no cinema e na TV.

São destaques do seu trabalho para a TV as minisséries “Agosto”, “Caramuru – A
Invenção do Brasil” e “Antonia”, além de seriados como “A Comédia da Vida Privada”.
No cinema, ele lançou no ano passado “Saneamento Básico – O Filme” (2007), com um
elenco que reunia Wagner Moura, Lázaro Ramos, Camila Pitanga e Fernanda Torres.
Também dirigiu e escreveu o roteiro de “Meu Tio Matou um Cara” (2005), “O Homem
que copiava” (2003) e “Houve uma vez Dois Verões” (2002), para lembrar os longasmetragens
mais recentes.

ENTREVISTA COM JORGE FURTADO:
1 – Qual foi o ponto de partida para o roteiro de “Romance”?
JF – Foi a investigação da “invenção do amor”, a lenda de Tristão e Isolda e também o
estudo clássico de Denis de Rougemont, “A História do Amor no Ocidente”. Além de
Tristão e Isolda, a nossa história tem também um pouco de Cyrano de Bergerac (de
Edmond Rostand), uma pitada de Dom Quixote e 450 gramas de Shakespeare. O resto é
mentira.

2 – Você poderia falar um pouco sobre a sua parceria _ de longa data _ com o Guel
Arraes?

JF – Já fizemos muitas coisas juntos e faremos tantas outras, espero. É divertido.

3 – Em qual papel você se sente mais confortável, como roteirista ou diretor?
JF – Como espectador, sem dúvida. Em segundo lugar, como roteirista, em silêncio,
entre os livros. E, por último, como diretor, de pé, gritando, na chuva, tentando cumprir
cronogramas. Nem sempre o que é mais confortável é o mais prazeroso ou o mais útil.

 

4 – “Romance” é um filme que embute uma montagem teatral e um especial de TV.
Como é a sua relação com cada um destes meios: cinema, teatro e TV?
JF –
Gosto dos três, dependendo do dia ou da hora. Cinema é uma forma de expressão
poderosa, capaz de quase tudo. Teatro, muito mais antigo, é quase uma função vital,
mais necessário que religião ou política. Já a televisão… A televisão é um meio de
comunicação, como o rádio. A televisão é uma forma de levar para dentro da nossa casa
coisas fundamentais, como o teatro, o cinema, a política, a religião e os gols do Grêmio.

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Em seu novo filme, “Romance”, o diretor Guel Arraes (“O Auto da Compadecida”, “Lisbela e o Prisioneiro”) faz um ensaio sobre a representação dramatúrgica do amor, recheado de ironias aos cacoetes da TV e do cinema brasileiros.

Na primeira exibição pública do longa, anteontem, no Festival do Rio, a platéia riu mais do que o diretor gostaria. Antes da sessão, Arraes apresentara o filme como um romance com pitadas de comédia, distinguindo-o de seus trabalhos anteriores, que são comédias com pitadas de romance. “Se vocês rirem muito, vou ficar bastante preocupado”, disse

Letícia Sabatella durante filmagem de “Romance”, de Guel Arraes, em São Paulo

Recente pesquisa Datafolha encomendada pelo Sindicato dos Distribuidores para mapear os hábitos de consumo de cinema no país identificou que comédia é o gênero preferido do espectador quando se trata de filmes nacionais.

Sabatella

Não-atores

A platéia que lotou o Cine Palácio, no centro do Rio, para ver “Romance”, riu ruidosamente de personagens como Orlando (Vladimir Brichta). Ele é um ator que ambiciona um papel num especial de TV a ser rodado no Nordeste, mas descobre que os testes serão restritos a não-atores da região –expediente que é voga no cinema nacional recente.

“Passei anos da minha vida me formando como ator e vou perder a melhor chance que tive até agora porque sou ator”, conclui Orlando, que decide, então, fingir-se de sertanejo, para se submeter ao teste.

A escalação de Orlando para o papel termina acrescentando mais um vértice à relação do casal de protagonistas, formado pela atriz Ana (Letícia Sabatella) e pelo ator e diretor Pedro (Wagner Moura). Os dois se apaixonam durante uma montagem teatral de “Tristão e Isolda”, matriz das narrativas do amor romântico.

O desempenho de Ana na peça chama a atenção de Danilo, diretor geral de uma emissora de TV cuja logomarca é prateada e esférica. Danilo é interpretado por José Wilker, com entonação, gestual e tiradas sarcásticas que remetem ao diretor Daniel Filho.

Alçada ao estrelato na novela, Ana vê sua relação com Pedro entrar em crise. Ele despreza a audiência de TV. Prefere a atenção atenta do restrito público de teatro a um espectador “que está me vendo por acaso, entre dois anúncios de detergente”.

É uma escolha que a pragmática produtora Fernanda, vivida por uma Andréa Beltrão decalcada de Paula Lavigne, que produziu “Romance”, é incapaz de compreender.

“Por que representar para 300 pessoas, se você pode representar para 30 milhões?” é uma das falas de Fernanda.

O roteiro de “Romance” foi escrito por Arraes, diretor de núcleo na Globo ao qual pertencem produções como “A Grande Família”, e por Jorge Furtado (“O Homem que Copiava”, “Saneamento Básico”), que também realiza trabalhos para a emissora. O título tem co-produção da Globo Filmes.

De Glauber a Manga

Resumindo sua trajetória profissional, anteontem, Arraes disse que, “em meados dos anos 70, queria fazer cinema como Glauber Rocha” e que, no início de sua “vida profissional na TV Globo”, inspirado pelas chanchadas, “queria fazer comédia como Carlos Manga”.

“Romance”, segundo o diretor, filia-se “a uma terceira linha de cinema, que corresponde à nouvelle vague, na França, e, no Brasil, aos filmes de Domingos de Oliveira”.

“Romance” estréia em 14/11, em aproximadamente 70 salas, segundo o distribuidor Rodrigo Saturnino Braga (Columbia). Antes, tem exibição na Mostra de São Paulo.

Fonte: Folha Ilustrada.

Por: SILVANA ARANTES Enviada especial da Folha de S.Paulo ao Rio

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Wagner é um dos maiores nomes do meio artístico nacional; ‘Guel traz sempre este jogo: a arte imitando a vida e vice-versa’; ‘[a TV] traz estabilidade financeira para o ator’…

Com pouco mais de 10 anos de carreira, iniciada em 1996, Wagner Moura já se
transformou em um dos maiores nomes do meio artístico nacional. Sucesso de público e
de crítica, suas atuações em duas novelas da TV Globo – “A Lua me disse” e “Paraíso
Tropical”  –  lhe garantiram a fama nacional. Não bastasse isso, ele passou a ganhar
destaque no elenco dos recentes lançamentos cinematográficos, chegando ao ápice com
“Tropa de Elite”, de José Padilha, no qual representou o capitão Nascimento.
Baiano, nascido em 76, Wagner chegou ao Rio a convite de João Falcão para estrear a
peça “A máquina” em 2000. De lá para cá, não deixou mais a cidade, a não ser por
curtas temporadas para a realização de algum trabalho.
No momento, além de entrar em cartaz com “Romance”, ele vive o personagem-título
de “Hamlet” (a peça saiu de cartaz há poucas semanas), em encenação dirigida por Aderbal Freire Filho, em São Paulo.
Filmografia:
1. Saneamento Básico, o Filme – 2007
2. Ópaí, Ó – 2007
3. A Máquina – 2005
4. Desejo – 2005
5. Cidade Baixa – 2004
6. Nina – 2004
7. O Caminho das Nuvens – 2002
8. Carandiru – 2002
9. Deus é Brasileiro – 2001
10. O Homem do Ano – 2001 (lançamento 2003)
11. As Três Marias – 2001
12. Abril Despedaçado – 2000
13. Woman on Top / Sabor da Paixão – 2000

ENTREVISTA COM WAGNER MOURA

1 – Você já tinha trabalhado com o Guel Arraes? Como foi a filmagem?
WM – O trabalho do Guel tem um componente meio teatral, com o qual eu me
identifico muito. O trabalho mais legal que eu já fiz na TV foi um programa do núcleo
dele, o “Sexo Frágil”, e a sensação era justamente a de fazer teatro na TV. “Romance”
tem explicitamente isso porque seus personagens são atores. As cenas dentro do teatro
foram especialmente divertidas. Se observarmos o trabalho do Guel, vemos que ele traz
sempre este jogo: a arte imitando a vida e vice-versa.

2 – Como foi a preparação para viver o Pedro?
WM – Em primeiro lugar, escutei muito a ópera de Wagner, “Tristão e Isolda”. Depois,
ensaiamos muito no Teatro Dulcina, que também foi o cenário para as filmagens. O
processo com o Guel foi de um aprendizado muito grande porque eu vinha de métodos
de trabalho totalmente diferentes, muito abertos. Num trabalho com o Guel, a margem
para o improviso é quase nenhuma. Ele edita o filme na cabeça antes das filmagens e já
ensaia tudo exatamente como imaginou. Há um rigor muito grande na marcação, na
fala…

3 – Seu personagem, o Pedro, traz falas de peças de teatro para a vida real. Isso
acontece com você também?
WM –
O tempo todo. Agora mesmo, que estou no teatro com Hamlet, de vez em
quando me vêm à cabeça frases da peça que se encaixam perfeitamente em situações do dia-a-dia.

4 – É difícil para você fazer cenas de sexo?
WM – Eu não tenho muito problema com isso, não. Não mais do que qualquer outra
cena. No caso, acabou sendo mais fácil do que imaginávamos e o resultado ficou bem
bonito. (Veja a Crítica que Pedro Cardoso fez contra a nudez e cenas de sexo)

5 – Como foi o relacionamento entre o elenco?
WM – Eu me divirto muito com o Vladimir, de quem sou amigo há muito tempo.
Adorei também trabalhar com a Andréa Beltrão pela primeira vez. É uma atriz que
sempre admirei e acompanhei.

6 – O filme trata da relação dos atores com o teatro, a TV e o cinema. Como isso se
dá na sua carreira?
WM –
São mídias diferentes, que vão conviver para sempre. Já declararam a morte do
teatro tantas vezes, mas ele não vai acabar nunca, assim como o cinema… Acho que o
ator não precisa escolher. Fazer TV é importantíssimo, por exemplo.                              A rapidez que a TV exige acaba estimulando a inteligência. Além disso, ela traz estabilidade financeira para o ator. O cinema tem a coisa boa de você experimentar mais, viajar para os festivais e trocar com profissionais de outros países. No teatro, a primazia é do ator, é onde me sinto mais vivo. Todas essas diferenças são boas tanto para quem faz quanto para quem assiste.

Fonte: Site do Filme

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“O único sofrimento de amor é não ser correspondido.”(Ana); São Paulo é o grande pólo produtor e consumidor de teatro do país; a cultura popular nordestina é ainda bastante ligada à sua herança medieval
européia

ENTREVISTA COM O DIRETOR GUEL ARRAES

Nos anos 90, Guel foi um dos responsáveis pela reconfiguração do mercado audiovisual
brasileiro. Dirigida por ele, a minissérie “O Auto da Compadecida” estreou na TV no
início de 1999 e foi adaptada para o cinema em 2000. Sucesso de público (2.157.166
espectadores), o longa-metragem ganhou ainda o Grande Prêmio Cinema Brasil nas
categorias Melhor Diretor, Melhor Ator (Matheus Nachtergaele), Melhor Roteiro e
Melhor Lançamento.

1 – Como surgiu a idéia de fazer “Romance”?
GA – Começamos pela vontade de fazer uma história de amor. Mais especializados em
comédias, tínhamos feito pouca coisa no gênero antes: a parte mais melodramática de
“Lisbela e o Prisioneiro”; cenas românticas de “O Homem que Copiava”, de Jorge
Furtado; um ou outro trecho de “Comédias da Vida Privada”… A partir dessas
experiências, afinamos um tom e desenvolvemos a história de atores que se apaixonam
montando uma história de amor. Foi um artifício para abordar o tema __ o amor __ de
duas formas diferentes: ao mesmo tempo em que os personagens vivem uma história de
amor em suas “vidas”, eles estão também discutindo a história do amor através da
literatura com a montagem de “Tristão e Isolda”.

2 – Como foram as filmagens?
GA – Ensaiamos algumas semanas no próprio teatro, onde se passava boa parte das
cenas. Quando fomos filmar, de alguma maneira, já éramos uma pequena trupe de
teatro, como no filme.

3 – Como foi feita a escolha do elenco?
GA – Esta é uma etapa fundamental e começa já na redação do roteiro. Costumo rever
cenas dos atores que estou escolhendo e releio o texto pensando em cada um fazendo o
papel. No caso de “Romance”, houve uma preocupação extra, afinal a maioria dos
personagens são atores. Representar, na vida real ou na ficção, é um dos temas do filme.
Tratava-se, então, de escalar atores pra fazer papéis de atores. De alguma maneira, mais que o habitual, eles emprestam suas personalidades aos personagens.
Para a Ana, eu procurava uma atriz que tivesse a estampa de uma musa. Pensava que ela teria para o Pedro, seu diretor, o papel que teve, por exemplo, Leila Diniz para
Domingos Oliveira ou Anna Karina para Godard. Na segunda parte do filme, seu caráter
serviria também para convencer o público de que ela se transformou numa estrela de
TV. Já Pedro é o “nosso” representante no filme. É um pouco a síntese deste grupo de
diretores e roteiristas, com quem trabalho há anos. Wagner é um ator da nova geração
com quem nos identificamos e que nos foi revelado pelo João Falcão em “A Máquina”.
Já escrevemos a personagem da produtora pensando em duas atrizes: Andréa Beltrão ou
Fernanda Torres. Se fosse a Nanda, ela se chamaria Andréa; como foi a Andréa, a
personagem passou a se chamar Fernanda.

O personagem do Vladimir exige várias qualidades: tem que ter pinta de galã e ser um
bom comediante, para funcionar em dupla com a Andréa. O Wilker e o Nanini vieram
porque precisávamos de bons atores de comédia com autoridade junto ao público para
representar tanto um grande produtor de TV quanto um ator estrelado como o Rodolfo
Maia. Tonico Pereira, Bruno Garcia e Edmilson Barros são atores que eu gosto muito e
aceitaram participar em papéis pequenos.

4 – Como foi a divisão do roteiro com Jorge Furtado?
GA – Como sempre: vamos fazendo juntos a história. Conversamos algumas horas do
dia para isso. Depois, dividimos as cenas e cada um escreve os diálogos separadamente.
Daí, repassamos o script, discutindo as cenas escritas, e vamos fazendo os sucessivos
tratamentos. Desta vez, não nos encontramos ao vivo uma única vez. Nossa
comunicação foi por Skype e e-mail, já que ele estava em Porto Alegre e eu, no Rio.

5- Como se deu a escolha de três estados como locação: São Paulo, Rio de Janeiro e
Paraíba?
GA –
São Paulo é o grande pólo produtor e consumidor de teatro do país. É lá que está
a cena alternativa da qual fazem parte Ana e Pedro. O Rio concentra a produção de TV.
Essa divisão geográfica ajuda a estabelecer melhor a dicotomia arte-indústria e também
a separação do casal em determinado momento da história. A Paraíba surgiu mais tarde,
pela necessidade de que o especial de o “Romance de Tristão e Isolda” fosse adaptado a
algum ambiente típico do Brasil e gerasse a idéia de que o ator principal seria escolhido
no local, introduzindo o personagem José de Arimatéia. O Nordeste era uma escolha
natural. A cultura popular nordestina é ainda bastante ligada à sua herança medieval
européia de onde nos vem a história de Tristão e Isolda. A literatura de cordel, por
exemplo, é também chamada de romance de cordel. Além disso, há uma razão mais
prosaica, que não participa diretamente da história: uma piscada de olho para a
adaptação que eu tinha feito de “O Auto da Compadecida” e que usava a mesma
conexão Nordeste – Idade Média.

6 – Como “Romance” se insere na sua filmografia?
GA – É um trabalho diferente da maioria dos trabalhos que já fiz para a TV e para o
cinema: pelo gênero, uma história de amor; e pela abordagem, mais pessoal.

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