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Archive for the ‘Cotidiano’ Category

Você está na maior expectativa em relação às Reformas que uma vez aprovadas vão aquecer o mercado financeiro? Então não fique na ilusão! Confira como a “lei da oferta e da procura” te auxiliará a entender as garantias trazidas pela ‘modernização’ das leis trabalhistas.

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Quem gosta de ter uma suposta presidANTA como representante? Quem gosta do direito (obrigatório) de voto? Ora, por qual motivo exigir o exercício do seu direito de voto, se você pode abrir mão disso e deixar que o congresso, os rentistas ou a lei do mercado escolha o seu representante no seu lugar? Isso é o que determinada estirpe da mídia repercutia: “não é preciso uma nova eleição, magina! A solução é simples, rápida e flexível: abra mão do seu direito de escolher; abra mão das suas garantias! Basta deixar a gente derrubar, de maneira não democrática, a presidANTA que tudo melhora”.

Ora que melhora!!! A realidade é que o desemprego está perto dos 14%. Atualmente os mesmos políticos, bancos e a ‘grande mídia’ querem te botar mais fés: “se você, trabalhador, abdicar dos seus direitos, garantias e aposentadoria, tudo vai melhorar, sorria! Haverá mais emprego e seu salário vai ser maior”. Isso é uma mentira!? Não! Veja bem, isso não é uma mentira. É uma expectativa. Querem que você tenha fé, que você confie neles! Estão dizendo que você tem apenas uma chance e um único caminho de melhorar de a sua vida. Que isso só vai acontecer quando você abrir mão dos seus direitos previdenciários, se aposentar somente aos 65 anos, e renunciar garantias trabalhistas como férias remuneradas e 13º salário. Portanto, se você confiar neles, você perde direitos, mas ganha a expectativa de que o desemprego vai diminuir e além disso você vai ganhar mais dinheiro – parece um sonho, que felicidade!

Apesar do êxtase que essa grande esperança traz, vamos parar para pensar. Vamos deixar a Reforma da Previdência de lado (PEC 287), porque está claro que o objetivo é duplo: que as pessoas não consigam se aposentar, e que os bancos ganhem dinheiro dos pobres com a previdência privada. Assim, vamos pensar somente no caso da reforma trabalhista. Porque ela, inclusive, vai causar grande rotatividade no emprego e contribuir para que as pessoas não consigam se aposentar.

Pensemos com base na realidade, com base em fatos. É um fato que o desemprego atualmente é muito grande e tende a piorar. Existe ainda um outro fato, que é a lei do mercado, da qual o mercado de trabalho depende, segundo ela: quanto maior a oferta, menor a procura, isto é, quanto maior o desemprego, menor é o salário. Existe também o novo Projeto de lei da reforma trabalhista (PL nº 6.787, de 2016) que visa retirar diversas garantias, ou seja, com a “reforma trabalhista” o trabalhador tem a garantia de menos garantias, e a garantia de menos dinheiro, porque a escolha das férias remuneradas e do 13º vai depender do contrato elaborado por uma empresa, que por sinal está submetida às leis do mercado. Assim, há por um lado um empregador com seus interesses e o mercado com suas leis, e por outro a expectativa, a esperança, do trabalhador (desempregado) de ganhar mais e de não perder o emprego para conseguir se aposentar. Com isso, por um lado temos a expectativa, o sonho, a promessa, e por outro somente a realidade.

A realidade, como temos visto, é que se esse PL for aprovado, as novas contratações serão feitas no contexto atual de alto desemprego. Com isso, por conta da lei da oferta e da procura, quando for contratado certamente terá o salário mais baixo do que o emprego anterior. Mas além disso, o PL permite que o empregador te contrate na condição de trabalhar durante 12horas por dia, sem direito a férias remuneradas nem 13º. Essa é a realidade.

Com o PL, dizem, as demissões e contratações serão mais flexíveis, e você pode negociar as condições de trabalho. Então vamos refletir. Como é que você vai conseguir negociar se na fila lá fora tem mais de 5mil desempregados com filhos para sustentar, financiamentos e aluguel para pagar? Qual argumento você vai utilizar? Há milhares de pessoas que vão dar graças a Deus por qualquer humilhação.

Se você já tem emprego poderá ficar tranquilo? Então vamos pensar melhor. Uma das leis do mercado é: comprar barato para vender caro. Ora, a nova lei trabalhista proporciona uma nova tendência de mercado de trabalho. Que é a mão de obra mais barata. Então o seu patrão terá que entrar na nova tendência e contratar a mão de obra mais barata. Caso contrário, ele corre o risco de ser engolido pelo mercado. Entretanto, comparado com os funcionários contratados pela nova lei, você é muito caro. Isso é ruim para a empresa. Caso você não seja demitido, você realmente acredita que, quando seu contrato acabar, seu novo contrato será na antiga lei? Se tiver sorte será (re)contratado pela mesma empresa na lei recente para trabalhar mais e, como vimos, ganhar menos e sem direitos.

O abatimento da folha de pagamento garante a redução do desemprego? Ora, vamos considerar uma outra lei de mercado: quanto menor o custo maior o lucro. Não podemos esquecer que o funcionário é custo! Vamos supor que a lei foi aprovada. Considerando que empregado é custo e que a empresa tem 4 trabalhadores sob a antiga legislação. Então este empresário está em maus lençóis, porque ele tem muito mais custo do que os empregadores que adotaram a nova lei. O que esse empresário será forçado a fazer? Demitir os funcionários caros e contratar os baratos. Portanto, o desemprego tende a aumentar, e como já vimos, quanto maior o desemprego, menor é o salário.

Será que o barateamento da contratação garante que o empresário vai contratar mais? Ora, se a empesa tinha 4 funcionários e isso para ela era o suficiente, faz sentido contratar mais? Mas, tem outro fato. A nova lei permite jornadas de 12 horas, além disso, não se esqueça que funcionário é custo. Ora, se o empresário tinha 4 trabalhadores com jornadas de 8 horas, por que ele vai manter 4 funcionários, se ele pode contratar 3 ou 2 que vão trabalhar 12 horas rezando para não perder o emprego?

Assim, considerando as realidades mencionadas, estão te prometendo uma expectativa ou uma ilusão? Como vimos, portanto, o mercado tem leis que independem da beatitude do empresário bonzinho que gera empregos. Note bem, o objetivo primário de uma empresa é o lucro, é o que ela precisa para sobreviver, a mão de obra é um meio, e quando mais barata ela for melhor será para a empresa que está submetida às leis do mercado. Leis que, como vimos, estimulam o desemprego que por sua vez incentiva a diminuição do salário. A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), por outro lado, foi feita por volta de 1945 para equilibrar as coisas. Para que o trabalhador não ficasse tão à mercê das leis do mercado. Atualmente a CLT não é mais essencialmente igual à de 1945, porque já passou por diversas modificações. No entanto, a atual “modernização” da legislação trabalhista traz quais garantias ao trabalhador? A única garantia que ela traz é a ausência de qualquer garantia exceto a expectativa. Ou seja, querem trocar as suas garantidas por expectativas, por sonhos, que como vimos, são ilusórios. Nesse sentido, a suposta “modernização” é um verdadeiro retrocesso.

Mas afinal de contas, quem se beneficiaria com tudo isso, o trabalhador ou o empresário? Ora, nenhum dos dois! Quem ganha são os bancos, e as empresas que vivem de exportação. Porque as pessoas ganhando menos, consequentemente comprarão menos. Por conseguinte, as empresas que vivem do mercado interno se não sucumbirem, ficarão com a corda no pescoço. Os bancos, por outro lado, ganharão muito dinheiro porque os empresários à beira do enforcamento vão fazer empréstimos para equilibrar as contas; grande parte dos trabalhadores ficarão condenados a viver de empréstimos e do famoso “pagamento mínimo da fatura”. As empresas que vivem de exportação, por outro lado, ficarão bem porque elas pagarão pouco para seus trabalhadores em Reais, mas ganharão em Dollar ao venderem o produto para o exterior.

Sendo assim, devemos ficar atentos. Porque os mesmos que pediram para você confiar que, por meio de um Golpe Parlamentar, o seu país iria melhorar; esses mesmos querem que você acredite que, ao trocar suas garantias por uma ilusão, a sua vida será uma benção. É um acontecimento histórico, nós, os brasileiros, ficaremos eternamente conhecidos pelo povo que tirou do poder uma presidente eleita que não cometeu crime de irresponsabilidade, para colocar no poder um interino que cometeu diversos crimes, inclusive de irresponsabilidade. Um interino que apoiou, incentivou e aprovou os piores retrocessos jamais imaginados.

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Do Usp Online, artigo completo no link

‘A pesquisa (de mestrado) de Angelina tinha por objetivo perceber como as mulheres que sofrem violência pelo parceiro íntimo usam os recursos de âmbito municipal (como os postos de saúde e delegacia da mulher) [… ] as mulheres agredidas pelo parceiro não são protegidas pelas redes sociais e de apoio como gostariam, recebendo cuidados referentes à sua integridade física, mas não recebendo abordagem em saúde mental’

A tese de mestrado de Angelina, tem como título: Violência doméstica sob o olhar das mulheres atendidas em um instituto médico legal: as possibilidades e os limites de enfrentamento da violência vivenciada

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45% das brasileiras reclamam da dificuldade de ereção dos parceiros

Pesquisa mundial avaliou o índice de satisfação sexual feminina

<OwwwnN… Tadinhas das brasileiras… ô rapazes, vamo dar no couro faz favor!? Garotas! vão prasoropa que lá a coisa tá boa! É bicho… a “mlher moderna” é exigente, tem mais autonomia e tudo. Parece que, num certo sentido, não há aquele lance de ‘precisar de um momem’. Vê: hoje em dia há grande possibilidade da amulher consolidar uma carreira (subir na vida). Há algumas décadas, a única forma da eva ter uma vida melhor era conseguindo um bom casamento.

Por outro lado… Muitas vezes a mulher tem que escolher: ou a carreira, ou ter filhos (consolidar uma família). Um dilema para a ‘mulher moderna’. Mas pro cê vê: mulher só se fode! AHUAHUAHa. Há algumas décadas, a mulher casava – virgem, tadinha… – e muitas geralmente eram infelizes no casamento, no sexo e tudo… Hoje em dia, talvez por serem mais independentes, os rapazes ficam inseguros e ficam impotentes… É mulherada…. dureza… ou melhor – falta de dureza! HUAHUAHha.

Bom… de qualquer fora, uma coisa é certa: a minha namorada não vai estudar nasoropa, mas nem a pau! Mas não vai mesmo! AHUAHUa>

Um novo estudo realizado pelo projeto mundial Sexo e Mulher Moderna apontou que um grande número de mulheres se sente prejudicada pelos problemas de dificuldade de ereção dos parceiros na relação sexual. Foram entrevistadas mais de 14 mil mulheres, em 14 países diferentes para descobrir como anda a satisfação sexual feminina.

O resultado comprova que 45% das entrevistadas no Brasil acreditam que a relação sexual é anulada por problemas de impotência masculina. O número também é grande na América Latina, quando 37% das mulheres fazem a mesma afirmação. O percentual só é menor na Europa, onde apenas 23% das mulheres reclamaram do desempenho sexual masculino.
Os números também são alarmantes quando a pergunta se refere ao desejo de ter uma vida sexual melhor. O total de 51% das brasileiras disse que gostaria de sentir mais prazer na cama. De acordo com as pesquisadoras, o estudo revela que nos casais que convivem com o problema da disfunção erétil, 52% das mulheres manifestam o desejo de conseguir uma vida sexual melhor e mais ativa.

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Carta a Aedo

A Arte de Ser (uma Sombra)

Sua vida é uma singularidade – acerca-se de virtudes ascéticas e dela serve-se para fins particulares. Virtudes essas – que passam longe de serem verniz moral, ou meios para alcançar uma (confortável vida) pós-morte – são sim as consequências da (sua) filosofia, a qual subjuga os instintos, em prol da conquista do pensamento – do pensamento!

Assim, trajando um disfarce – humildade, pobreza, castidade – ele é, vem verdade, um Grande Vivente, e converte seu corpo num templo – visando uma causa: demasiadamente orgulhosa, rica, e sensual. Vive em função das causas e dos efeitos – tem como ponto de partida uma certa produção (produtividade), tal que passa longe da produção em massa, de reproduzir opressão, difundir o medo – e na contramão dos comuns, não parte da necessidade, muito menos vive em função dos meios e dos fins.

Daí (ad)vem a consequente solidão desse humano (demasiadamente humano), o qual por não encontrar (na)morada – acaba por  “não servir para nada”. Mesmo porque, seu único poder – o pensamento –  aos fins do Estado transcendente; não sendo, por conseguinte, seu alcoviteiro – torna-se inimigo iminente.

(sobre)Vivente, à deriva, sem eira nem beira; tramita (d)entre as esferas (sociais) sem nenhuma pertencer – sem lugar. Está hora aqui, hora acolá – ora, e agora, onde é que ele está?  Em Silentium – na madrugada –  a suplantar-se.

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> Texto (completamente, diga-se de passagem) baseado na introdução do livro Espinoza e os signos, de Deleuze.

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por J.R. Guzzo.

Maus cidadãos.

Lula disse que todo mundo deve ter o direito de fumar desde que não incomode os outros’. “O problema é que a proibição do fumo parece não bastar, para quem a defende. Cada vez mais, procura-se também a condenação dos fumantes”.

 

 

[Sabe o que eu acho? Vou dizer, to nem aí – se não quiser ler pule essa parte, nem ligo!: eu acho que é aquele papo – o  cigarro faz circular muito dinheiro: transporte do produto, no comércio, impostos, etc. E o Estado ganha muito dinheiro com isso. Mas ele tem que enfrentar um problema: os fumantes! Mas não os fumantes em si, e sim, as conseqüências que eles trazem: ficarão doentes e o Estado terá que “cuidar” dos pobres. E o Estado não quer isso, claro! Afinal de contas, terá que gastar o dinheiro – boa parte obtida com o imposto que o moribundo gerou ao engolir fumaça – para tratar do peão.

Agora um parênteses: (e drogas como maconha e “cocaínageladeira”? Ora, elas também fazem circular muita grana – não há interesse em acabar com o tráfico – aposto que o “Capitalismo” a adora.) fim do parênteses.

Daí usuário paga o pato duas vezes: primeiro por ser discriminado (e gemer no fio da espada da lei), e depois de ajudar a circular tanto dinheiro, tem de fazer circular mais dinheiro ainda para ter uma morte dígna!

Ah, mas ótimo! É isso aí! Os usuários estão cumprindo seu papel direitinho – pouco importa sua saúde, o bem estar físico e moral – tá fazendo circular dinheiro!? Ah, então tá bom.

É o que eu acho…

Ps: as empresas “cigarríficas” têm de ser mais espertas – e penso que elas já sacaram isso (do contrário, que escutem meu conselho – da próxima vez vou cobrar, hein?): maios ou menos como os traficantes do Rio (de Janeiro) sacaram que não deveriam deixar o Crack ser vendido por lá, os “tabaqueiros” precisam fazer cigarros menos nocivos, porque assim, seu objeto terá mais vida útil – e por conseguinte – renderá mais dinheiro. 😉 O Estado, por sua vez, não ficará chateado em ter que gastar o dinheiro que consegui com tanto (nosso) suor – e todos ficão felizes para semre: êÊeÊeÊeÊeÊêÊê.

Acho que mereço um Nobel da PaX.]

 

Se existe alguma coisa a respeito da qual o mundo inteiro está 100% de acordo é que o fumo faz mal à saúde; não apenas de quem fuma, mas também, embora não se saiba claramente com que grau de intensidade, de quem está por perto de um cigarro aceso. Não parece haver nenhuma necessidade, assim, de continuar querendo provar algo que todos consideram mais do que provado. Também não dá para ver como ainda seria possível, em pleno ano de 2008, encontrar algum pecado novo para acrescentar à lista de tudo aquilo que o fumo faz de mal, ou pode fazer, ou se imagina que faça. As medidas de repressão que se poderiam tomar contra o cigarro, enfim, já foram tomadas. É proibido fumar, hoje, em praticamente qualquer local fechado onde haja mais de uma pessoa. Os fumódromos, onde se imaginava que o cidadão poderia fumar sem incomodar ninguém, estão em via de extinção. Nos países que o Brasil considera como os mais iluminados da Terra, os preços foram aumentados até o limite máximo que os governos acham possível impor: o equivalente a mais de 12 reais o maço na França, mais de 15 reais na Inglaterra. Está banida no planeta inteiro, ou quase, toda e qualquer propaganda de cigarro. Não existe à venda uma única carteira que não traga com destaque as mais severas advertências contra os males do fumo – no Brasil, por sinal, elas vêm acompanhadas de imagens especialmente repulsivas, mostrando um homem sem perna, pulmões reduzidos a uma pasta de carvão e daí para pior.

 

Já não seria o suficiente? Não. O esforço no Brasil, agora, é para proibir o cigarro nos últimos espaços que ainda lhe estão abertos – as áreas reservadas a fumantes nos raros locais públicos, fora do ar livre, que escaparam até o momento das placas dizendo que “é proibido fumar”. Salvo vetar o cigarro por lei, coisa que os governos não querem fazer para não perder bilhões em impostos, o que ficaria faltando? Essa parece ser, assim, a última fronteira a ser ganha pelos inimigos do fumo. O governador de São Paulo, José Serra, e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para ficar só em gente graúda, disputam atualmente uma corrida para ver quem proíbe mais e proíbe antes. Se um, o outro ou mais alguém conseguirem aprovar leis que acabem de vez com as áreas destinadas a fumantes, nada haverá a discutir: lei é lei. Tudo bem – outras coisas, nesta vida, já foram permitidas um dia e hoje não são mais, e nem por isso o sol deixou de nascer todas as manhãs. O problema é que a proibição do fumo parece não bastar, para quem a defende. Cada vez mais, procura-se também a condenação dos fumantes. Um clima de neurastenia agressiva é estimulado em torno da questão. Com freqüência dispensa-se, para criticar o tabaco, a necessidade de respeitar um mínimo de lógica, ou a mera verdade dos fatos.

 

A partir desse ponto de vista, quem fuma vai passando a ser olhado como portador de alguma deficiência moral, ou mau cidadão, ou nocivo à vida em sociedade, ou as três coisas ao mesmo tempo. Empresas encontram meios para não contratar fumantes. Convidados deixam de ser bem-vindos, caso fumem, em residências particulares. Médicos de alta fama estão sempre dispostos a dizer as coisas mais extraordinárias sobre as ruínas que o tabaco seria capaz de causar no organismo humano; já se ouviu, até mesmo, que a fumaça aspirada pelos não-fumantes é pior que a fumaça tragada pelos fumantes, pois estes dispõem de filtros em seus cigarros. Desde que condene o fumo, tudo que se apresenta como “estudo” ou “pesquisa” é automaticamente aceito como verdade científica. Os números oficiais, então, são capazes de qualquer coisa. Sugerem, por exemplo, que falta dinheiro para a saúde porque o SUS gasta muito com doenças causadas pelo fumo; cerca de 340 milhões de reais por ano, segundo um trabalho recente da Fundação Oswaldo Cruz. (Seria interessante observar, a respeito, que só a Souza Cruz, a maior fabricante de cigarros do país, pagou acima de 3 bilhões de dólares em impostos sobre suas vendas em 2007.) O Ministério da Saúde manda escrever nos maços de cigarro que existem ali “mais de 4 700 substâncias tóxicas”. Mais de 4 700? Como um ser humano poderia continuar vivo engolindo tanto veneno assim? E por aí se vai.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse há pouco que todo mundo deve ter o direito de fumar desde que não incomode os outros; garantiu, aliás, que só fuma em sua própria sala. Parece algo de muito bom senso, mas o homem só levou pancada. Hoje em dia, quando o tema é tabaco, ter bom senso já não serve mais para dar razão a ninguém.

 

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Domingo, 01 de Junho de 2008

 

Antígona em São Paulo: um diálogo entre duas tragédias .

 

À luz do teatro grego, caso Isabella evidencia lições sobre o mundo brasileiro; Juntamente com Freud, poderíamos pôr isso na conta de uma psicopatologia da vida cotidiana.

Leda Tenório da Motta.

 
Na cordialidade brasileira, todo mundo é tio. É de "tia" que as crianças chamam a mulher do pai quando esta não é a sua mãe. A menos que a chamem simplesmente pelo nome, "fulana" ou "cicrana". Por outro lado, é "a companheira", ou a "segunda mulher", ou a "nova mulher", ou ainda a "nova esposa" de fulano que dizemos para nomear a mulher com quem alguém se recasou ou se juntou.

Saído do domínio das bruxas, essas representantes da mãe má, desde a noite dos tempos, que é o tempo das histórias de fada, a palavra "madrasta" é no mínimo estranha como referência à segunda mulher do pai de Isabella Nardoni, Ana Carolina Jatobá. Primeiro, porque a madrasta é aquela que, na falta da mãe, está na função dela. Não é o caso da mulher de Alexandre Nardoni, que, por melhores que pudessem ser as relações entre a menina e a "tia", antes do surto ou do curto-circuito que talvez a tenha levado a esganá-la, só se encarregava de Isabella nos fins de semana estipulados para suas visitas ao pai. Segundo e mais importante, porque, justamente, não é assim que falamos. Como também não nos ocorre dizer a "enteada" ou o "enteado" para uma criança que vai passar o fim de semana na casa do pai recasado com outra pessoa.

Isso torna, aliás, surpreendente a maneira como, até mesmo na Rede Globo, que normalmente observa a regra da coloquialidade – os deles e os delas da Globo, como diria Caetano Veloso – prosperou "a madrasta", em lugar de "a mulher" de Alexandre Nardoni, trocando-se, assim, também no registro do padrão de qualidade, uma formulação em bom português por outra pomposa, falseada e punitiva.

É que, em sua desenvoltura, "a companheira" ou "a segunda mulher do pai" exporiam demais a falência do casamento e da família a que chegamos, daí esse tipo de expressão, embora cada vez mais corriqueiro, incomodar até mesmo a representação da vida como ela é no jornalismo botânico, diriam alguns. É que "madrasta" já é um veredicto, uma condenação prévia, daí sua utilidade, diriam outros.

Tudo isso é razão sociológica e é verdade. Mas, na terrível história deste infanticídio, há mais estranhezas envolvendo palavras, e mais palavras feitas para nos deixar aturdidos, que só aquelas que a sociologia saberia explicar. Algumas são, visivelmente, da alçada da psicanálise. Como a coincidência entre os nomes da primeira e da segunda mulher do pai, que se chamam ambas Ana Carolina, e têm sobrenomes na mesma gama semântica – Oliveira e Jatobá -, ou entre o nome do pai de Ana Carolina Jatobá e de seu marido, que se chamam ambos Alexandre. Juntamente com Freud, poderíamos pôr isso na conta de uma psicopatologia da vida cotidiana.

Mas se estas recorrências dos significantes e significados já intrigam, tanto quanto a maneira subitamente protocolar com que passamos da boa tia à bruxa cruel, nada chega perto da vertigem de uma outra confusão onomástica que, desde o indiciamento de Alexandre Nardoni e sua segunda mulher, passa a rondar o caso Isabella. De fato, se Alexandre Nardoni, como nos afiançam a promotoria, a polícia e a imprensa, e acredita a opinião pública, pensando que sua filha estivesse morta, e agindo em cumplicidade com a mulher, que a teria começado a matar, a atirou do sexto andar de seu apartamento, para encobrir o assassinato, tomando o cuidado de precipitar o corpo sobre a grama, para não desfigurá-lo, e se foi em conseqüência da queda que a menina morreu, então, estaríamos diante de um assassino doloso e culposo ao mesmo tempo, voluntário e involuntário de uma só vez.

Doloso porque, nesse caso, Alexandre Nardoni teria cooperado com a mulher que intentou matar sua filha, assumido o seu intento, consentido com ele, a ponto de desfazer-se do corpo e buscar inculpar um terceiro, ou terceiros, e agindo com astúcia ou fraude, que são as duas palavras que todos os dicionários empregam para definir o "dolo". Culposo porque, acreditando que a filha já estivesse morta, como parece provar o fato de que não chamou para ela nenhum socorro, a atirou pela janela, e, sem querer, com as próprias mãos, a matou.

Se acaso supuséssemos um coro grego antiqüíssimo circulando em volta desta tragédia paulistana das imediações do Tucuruvi, onde fica o Edifício London, é isto que, no desempenho de um de seus principais papéis – deplorar o horror – esse coro trágico teria que fazer valer: sem querer, com as próprias mãos, a matou! E isso significaria entoar que o pai foi um joguete dos deuses!

Ainda que, em alguns autores, como Sófocles, os heróis trágicos se debatam contra a sina que os faz rumar inapelavelmente para um fim abjeto, e busquem escapar dela, o homem como joguete dos deuses é a própria condição da personagem de tragédia, a própria essência do trágico. Assim, neste infanticídio de pai para filha, que parece ensombrecer todas as palavras, mais que na sociologia e na psicanálise, estamos na literatura. Tudo se passa como se a vida imitasse a arte.

Na Antígona, que encerra o ciclo das tristíssimas histórias de Sófocles em torno da família de Édipo, a personagem que dá nome à peça é um desses heróis que quer escapar da sorte, tomar seu destino em mãos. Nos nossos exercícios escolares, só vamos até Édipo Rei. Mas Sófocles escreveu seis dramas, quatro deles perdidos, sobre essa gente do clã maldito dos Labdácias que está envolvida com o casamento de um filho-joguete-dos-deuses com a própria mãe, núpcias que rendem uma linhagem impura de príncipes e princesas, que vão, aos poucos, sendo expurgados de Tebas, para que a polis se limpe dessa abominação.

Bem menos conhecida, a segunda fase desse processo expiatório é Édipo em Colono, cujo título alude ao lugarejo ao lado de Atenas em que Édipo se exila e morre de dor. O último é Antígona, que trata da guerra fratricida entre os descendentes homens da casa de Édipo, rivais na disputa do trono, da morte dos dois príncipes, um pela mão do outro, e da luta da irmã para enterrar um dos irmãos, condenado a apodrecer sobre a face da terra, sem sepultura, segundo uma nova lei do reino, por ter atentado contra Tebas, quando o outro irmão governava.

Na última peça de Sófocles, Antígona ergue-se sozinha contra toda uma cidade para enterrar Polinice, morto em meio às escaramuças que cercam sua tentativa de tomar o poder, perdido para o irmão Etéocles. Quando os dois irmãos entredevoram-se e perecem, é Creonte, tio deles, que assume o governo e faz promulgar contra Polinice a lei do não-sepultamento. Desrespeitando a ordem, Antígona, que está prometida ao filho de Creonte, realiza o funeral do irmão. Ela é condenada à morte e se suicida, gesto imitado pelo noivo. É a dizimação dos Labdácias e o começo da desgraça de Creonte, prevista pelo cego adivinho Tirésias, que vem lhe dizer que errou ao manter o seu édito cruel.

Uma das dimensões fascinantes da peça é que ela se presta a discussões jurídicas, políticas e religiosas com as quais, até hoje, estamos envolvidos. Com 2.500 anos de antecedência, estão aí cifrados os embates entre o Estado e o sujeito próprios da vida republicana, embates que repercutem, então, as contradições inerentes à passagem de uma Grécia mítica a uma Grécia democrática e filosófica. Assim como é plena de dimensão psicológica. Pois estão dados aí também temas como a maldição da parentela, a presença da morte no cerne das relações entre pais e filhos, toda essa infelicidade de que a psicanálise, fazendo uma ponte entre Sófocles e Shakespeare, Édipo e Hamlet, tiraria um mundo.

São essas nuanças da psicologia fina ou da vida psíquica profunda que têm permitido a alguns tomar Creonte não como um déspota mas como aquele que, por sua vez, quer salvar uma cidade, expulsar a peste de seus domínios, impedindo que a filha de Édipo se case com seu filho, de modo a perpetuar a maldição. Nessa linha interpretativa, ele é também aquele que desmancha a absoluta confusão nomenclatural – o filho que é o esposo de sua mãe, o pai que é o irmão de seus filhos, e assim por diante, que o casamento edipiano desencadeou. E isso tem o interesse suplementar de nos permitir reinterpretar não apenas Antígona mas todo o ciclo de Édipo como uma tragédia da confusão dos nomes e dos papéis regulados pelos nomes, com tudo que esse desgoverno tem de atentatório à civilização.

Mais fascinante ainda é que isso pode ter a ver com a cordialidade. Tanto assim que, em Raízes do Brasil, Sergio Buarque de Holanda, pensador dos atropelos da nossa civilidade, nossa particular maneira de viver as relações entre o Estado e a família, fazendo de um a continuação do outro, vai tirar de Sófocles lições sobre o mundo brasileiro, em que todo mundo é tio.

Se for verdade que o pai de Isabella matou e não matou voluntariamente a filha, haveria um paradoxo, uma tragédia dessa ordem da desorganização estrutural no caso Isabella Nardoni. Não só porque, nesta triste rede de nomes e parentes confundidos, vemos a lógica enlouquecer, junto com a gramática. Mas porque, ao relegar à grama do jardim do Edifício London o corpo da filha, que acreditava morta, mas que ele mesmo iria matar, Alexandre Nardoni, que não chama o resgate, nem cuida, como pai, dos funerais, de algum modo abandona o cadáver e aflora a ignomínia do não-sepultamento, atentando contra outra regra civilizatória.

Seria o clamor das pessoas às portas das casas, delegacias e presídios que ouvimos hoje uma espécie de recondução das vozes de um coro grego trágico cantando o fatídico de nossa existência, que algumas famílias malfadadas têm na cidade a missão de relembrar?

Leda Tenório da Motta é professora no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, crítica literária e tradutora. Publicou, entre outros, Proust – A Violência Sutil do Riso (Perspectiva, 2007)

 

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As famosas de cara redonda estão deixando
de existir. E, como sempre, Madonna comanda
a universalização do rosto afilado e anguloso.

Certa vez ouvi um “esteticista” dizer que quando uma mulher (principalmente jovem) vai ao seu consultório dizendo que quer fazer uma plástica – ele a encaminha para um psicoterapeuta… Tá certo, bom, é o que eu acho… Porque se não vira círculo vicioso; em geral o problema não está no corpo (externo) da pessoa – mas sim – no interior dela 😉

por Bel Moherdaui

Aposto que você já ouviu falar no “Triângulo de Platão”. Não aguento mais ouvir falar nisso. Se você foi, ou é, aluno(a) do Gil – não! não estou falando do Gilberto Gil, mas sim do DognaAaAAAaldo Gil (hEHEeHEe)- já deve estar careca de saber desse tal triângulo. Mas agora você vai conhecer o “triângulo de Madona” – tá duvidando? – então clica aqui. Viu!? Impressionante, não?

Aos 30 anos, a cantora Madonna era uma jovem mulher bonita e cheia de vida, de rosto redondo e bochechas pronunciadas. Hoje, aos 50, é uma beleza de cair o queixo. Em linguagem figurada, evidentemente. Tudo o que Madonna não tem é alguma coisa caída. Olhos amendoados e sem sobras acima ou abaixo, testa lisa e um tantinho mais longa do que a original de fábrica, boca carnuda mas sem excessos. As maçãs do rosto estão até mais pronunciadas do que vinte anos atrás, como se os zigomas tivessem aumentado ligeiramente com a idade – um efeito que não existe na natureza, uma vez que o passar do tempo derruba e não levanta. A diferença maior vem na região logo abaixo. O rosto da cantora hoje exibe uma elegante e anteriormente inexistente reentrância, o que aumenta a projeção das maçãs, a definição do maxilar e o efeito triangular da obra final. Uma obra-prima da cirurgia plástica e da dermatologia, segundo concordam os especialistas – a olho nu, a única coisa que parece excessiva é a expressão algo congelada pela toxina botulínica. Madonna é o retrato das técnicas mais contemporâneas da medicina estética, muito diferente dos rostos esticados à exaustão em certos lugares e excessivamente inflados em outros do passado ainda bem recente. Em vez de pele repuxada, olhos orientais e boca grotescamente repolhuda, o "novo rosto", como inevitavelmente é chamado, agora segue um modelo mais suave e sutil. "Rosto em formato de coração, com volume nas maçãs e mandíbula mais pronunciada. É isso que toda mulher quer", descreve o cirurgião plástico mineiro Alexandre Senra.

O efeito mais natural é resultado de décadas de aperfeiçoamento da cirurgia plástica e dos procedimentos estéticos. Na blefaroplastia, a cirurgia para pálpebras caídas e bolsas sob os olhos, os cortes são mínimos e precisos. A destreza do cirurgião, além de muita paciência, segundo os especialistas, revela-se na cauterização minuciosa dos vasos sanguíneos. Já o afilamento do rosto exige uma ação conjunta de lipoaspiração da gordura seguida pelo inevitável lifting, que reposiciona os músculos e tira o excesso de pele. Nesta cirurgia clássica de rejuvenescimento, a tração de pele, antes feita quase horizontalmente, hoje abrange músculos e segue uma linha oblíqua, diminuindo assim o jeito de "cara esticada". Para levantar as maçãs, aplica-se ácido hialurônico com parcimônia, em pontos bem precisos, de maneira a criar o efeito desejado sem o risco de deformações. O ácido é a substância mais comum dos preenchimentos e tem sido aprimorado para fins específicos. "Uso ácido hialurônico de três densidades, mais fino nas ruguinhas em torno dos lábios, médio nos sulcos em volta da boca e mais grosso nas maçãs e no contorno", enumera a dermatologista carioca Karla Assed. "Ele ainda é o mais confiável, por ser absorvível, sem rejeição e versátil." Como o efeito dura oito meses, em média, a manutenção do rejuvenescimento torna-se uma obra em aberto. Outro ácido, o poli-L-láctico, dura cerca de dois anos, mas só funciona em áreas de flacidez ainda incipiente. Recente no Brasil, a hidroxiapatita de cálcio é uma substância preenchedora densa e de maior duração (cerca de dois anos e meio), para regiões como queixo, contorno e maçãs do rosto, mas ainda são poucos os médicos que a aplicam.

Como segue uma espécie de fórmula, o rosto da moda se repete, e não só em cinqüentonas. Aos 27 anos, a cantora Christina Aguilera apareceu na semana passada numa festa de premiação com um rosto fino e pontudo que não tinha, de jeito nenhum, até recentemente. "As técnicas são mais seguras e exigem cada vez menos tempo de recuperação. Isso faz com que as mulheres optem pela cirurgia cada vez mais cedo", diz o cirurgião Ithamar Stocchero, representante da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética no Brasil. Mulheres de rosto redondo, mesmo que belíssimas como Christina, parecem mais inclinadas a encovar as faces e levantar os zigomas. Quem vê de perto a apresentadora Eliana também fica com a impressão de que seu rosto afinou. O resultado geral pode ser uma algo incômoda semelhança no rosto das famosas – e, em razão do efeito cascata, logo, logo entre as não famosas também. "De certa forma, esse rosto afinado é um reflexo do padrão de beleza corporal vigente, seca e sarada. Com a diminuição da gordura, o rosto fica encovado. Para restabelecer o ar juvenil, repõe-se o volume no arco da mandíbula e nas maçãs", explica a cirurgiã plástica Alessandra Haddad, do setor de cosmiatria da cirurgia plástica da Universidade Federal de São Paulo. E assim, de uma hora para outra, todas viram Madonna. Ou tentam, porque, plásticas e procedimentos à parte, 50 anos com aquela vitalidade não é para qualquer uma.

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